Review: We Happy Few, um mundo distópico com boas ideias mas que falha na execução
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We Happy Few foi financiado pelo Kickstarter, e foi lançado em agosto deste ano depois de muito tempo em acesso antecipado.

E o mesmo foi pensado originalmente como um game focado em sobrevivência do tipo que contém gerenciamento de recursos como em 7 Days to Die, ARK, Conan Exiles… Porém com o passar do tempo a Gearbox Software entrou como publisher do projeto, e com isso o conceito do mesmo começou a mudar.

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A sobrevivência deixou de ser o foco principal, e promessas de que haveria investimentos em outras áreas como a narrativa começaram a surgir. Agora venha conferir o resultado após toda essa espera.

A história do jogo se passa em uma realidade alternativa dos anos 1960, em que os Estados Unidos não fez parte da Segunda Gerra Mundial, fazendo com que a Europa fique à mercê dos nazistas. A narrativa é dividida em três atos.

O primeiro começa com o Arthur Hastings, um  britânico responsável por censurar histórias dos jornais que eram consideradas uma ameaça para aqueles que comandam Wellington Wells. Já o segundo é protagonizado por Sally Boyle, a mesma fez parte da criação do “Joy”, que na versão brasileira ficou traduzida como “Alegria”, ela é uma espécie de droga alucinógena que tem como função fazer com que os usuários percam o senso da realidade, e isso é acompanhado de uma imposição na qual aqueles que não fazem uso do produto não são vistos como pessoas de bem, e sim como foras da lei.

E para finalizar, no terceiro ato Ollie Starkey é o protagonista, um ex-militar que se rebelou contra o sistema ao decidir não fazer uso da droga, consequentemente virando um exilado que vive às margens da sociedade.

Pontos Negativos

Narrativa

We Happy Few tem uma apresentação bastante lenta, que pode levar qualquer um facilmente ao tédio. O que nos leva a ter essa conclusão é sua narrativa que em vez de questionar o seu mundo distópico brilhante, ela perde tempo com um encadeamento de questões boçais num tom de humor que não emprega carisma, e sim cansaço e frustrações.

E é a partir daí que começa a identidade inconsistente do game, com sua história muito mal apresentada, com personagens que não conseguem despertar sensos de urgência e importância no jogador, consequentemente não criando nenhum elo emocional com o mesmo.

IA (Inteligência Artificial)

A Inteligência Artificial dos inimigos e NPCs é bastante medíocre e bugada. Eles sempre virão pra cima do jogador como seres irracionais descontrolados, e isso ocorre independente de estarem sozinhos ou em grupo, simplesmente não há estratégias.

Existem ocasiões em que a inteligência artificial desliga, e os inimigos ficam parados sem fazer nada ou passam por você e não te enxergam. Todos esses problemas só deixam a experiência stealth do game ridiculamente fácil e desnecessária, visto que na maioria das vezes é possível eliminar grupos grandes com facilidade ao lançar pregos no chão, consequentemente deixando os agressores imoveis durante algum tempo, assim lhe dando a oportunidade de acabar com os mesmos, e quando estão sozinhos são mais inofensivos ainda.

No jogo é comum fazer muito barulho e um inimigo próximo não escutar, um exemplo é quando estiver enfrentado alguém e os demais que estão por perto não escutam a situação. O contrário também acontece da IA ficar super do nada, como quando o jogador esconde um corpo em uma lixeira grande no escuro, e um agressor de longe num passe de mágica cria uma visão noturna e de águia e enxerga o corpo como é possível ver no vídeo abaixo:

Problemas Técnicos

Este é o maior problema de We Happy Few, aqui é possível encontrar vários defeitos técnicos, de otimização e bastante bugs que vão desde coisas engraçadas até situações que te atrapalham de prosseguir no game. Vai ser bastante comum as texturas de tudo carregarem na sua frente, algumas levam muito tempo, já outras simplesmente não carregam nunca e ficam como um pequeno ou grande troço borrado.

A renderização também é um problema sério, edifícios, pessoas e objetos que aparecem de maneira repentina na sua frente, a situação às vezes é tão delicada que o jogador está correndo e surgem do nada telas de loadings, isso não era pra acontecer visto que se trata de um título de mundo aberto.

Outras coisas inusitadas que ocorrem ocasionalmente são: objetos que quando são largados varam o chão, NPCs que ficam travados em alguma posição ou realizando movimentações bem estranhas como flutuar e mexer em coisas que simplesmente não existem, chuva bugada que ao invés de descer gotas de água descem linhas retas pretas, e dentre outras situações… Logo abaixo vai ser demostrado por meio de vídeos algumas das circunstâncias listadas a cima:

NPCs travados:

Chuva bugada:

Texturas:

Renderização:

Pontos Positivos

Direção de Arte

We Happy Few tem uma direção de arte interessante, ela representa bem a realidade do mundo distópico que a história tenta retratar. Aqui temos diversos distritos, os dominados pela extrema pobreza são compostos por pessoas que foram expulsas das regiões “nobres” por não fazerem uso da droga “Joy”, edifícios destruídos, carros aos pedaços, matagal, pessoas na miséria, cores pasteis e tons escuros dominam essas áreas.

Enquanto na parte “nobre”, edifícios em boas condições, tecnologia retrô, ruas limpas, passatempos, cores bastante vivas, pessoas saltitantes e felizes tomam conta do lugar, porém, isso se deve em grande parte pelo efeito da droga alucinógena. Uma pena que os problemas técnicos atrapalham em permitir que a direção de arte brilhe mais ainda.

Crafting e looting satisfatórios

A procura por recursos aqui é uma característica de survival bem ao estilo de Bioshock e Fallout por exemplo. É possível encontrar canos, pés de cabra, tesouras, fitas, pilhas, bebidas, trapos, grampos de cabelo, antissépticos, pedaços de ferro, comida, carvão e afins, ao vasculhar baús, armários, lixeiras, caixas, geladeiras, fogões, gavetas, escrivaninhas, vasos sanitários, carros, guarda-roupas… Esses cacarecos podem ser usados na criação de diversas coisas que vão desde itens de curas até ferramentas customizadas e gazuas para abrir fechaduras.

Ficha técnica
  • Desenvolvedora: Compulsion Games
  • Distribuidora: Gearbox
  • Lançamento: Agosto de 2018 (PC, Xbox One e PS4)
  • Gêneros: Sobrevivência, RPG de ação e stealth
  • Gráficos - 5/10
    5/10
  • Som - 4/10
    4/10
  • Gameplay - 7/10
    7/10
  • Diversão - 6/10
    6/10

Resumo

No final a impressão que fica é a de que não houve a dedicação necessária para fazer o jogo de fato ir além de um título genérico de sobrevivência, e nem da pra dizer:”é um indie então devemos relevar certas coisas”, já que o mesmo está sendo vendido num valor altíssimo de triple A. Quase tudo aqui é bem mediano, como a história, gráficos e sons, até a gameplay que é o principal elemento que prende o jogador no game entra em repetição com o passar do tempo. Infelizmente We Happy Few é mais um daqueles casos de projetos com ótimas intenções, mas que falham em suas execuções.

Overall
5.5/10
5.5/10

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Gabriel Corrêa
Sou amante da cultura nerd em geral e também sou louco pela arte do cinema. Porém, minha verdadeira paixão são os Video Games. Não tenho restrições de plataformas, gosto de jogar em todas seja Nintendo, Xbox ou PlayStation. Meus gêneros de jogos favoritos são: rpg, puzzle, aventura e survival horror. Mas procuro jogar de tudo, principalmente para aumentar meu conhecimento e experiência gamer.
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