Durante mais de duas décadas, One Piece foi sinônimo de constância. Toda semana, sem falhas, novos episódios mantiveram a jornada de Luffy viva na televisão japonesa e no imaginário de milhões de fãs ao redor do mundo. Esse modelo praticamente ininterrupto moldou gerações e ajudou a transformar a obra de Eiichiro Oda em um dos maiores fenômenos da cultura pop global. Por isso, a notícia de que One Piece terá apenas 26 episódios por ano e divide os fãs causou impacto imediato na comunidade.
A decisão marca uma ruptura histórica no formato do anime e levanta debates intensos: qualidade versus tradição, fidelidade ao mangá versus hábito semanal, modernização da produção versus risco de esfriar o engajamento. Não é apenas uma mudança de calendário — é um novo capítulo na forma como One Piece será consumido daqui para frente.
A confirmação oficial da Toei Animation

A mudança foi confirmada oficialmente pela Toei Animation em comunicados e entrevistas à imprensa especializada. A partir de Abril de 2026, o anime deixará o modelo semanal contínuo e passará a adotar um formato mais próximo do sistema sazonal, com até 26 episódios por ano, divididos em dois cours.
O anime que completou 26 anos esse ano, começará após o encerramento do arco de Egghead. A série entrará em um hiato de aproximadamente três meses entre janeiro e março de 2026, retornando em abril com o arco de Elbaf já dentro desse novo modelo de exibição.
Essa decisão não surgiu de forma isolada. Ela faz parte de um movimento maior da indústria de animes, que vem abandonando produções semanais contínuas em favor de temporadas mais curtas e tecnicamente mais refinadas.
O fim do arco Egghead como ponto de virada

O arco de Egghead tem um papel importante nessa transição. Narrativamente, trata-se de um dos arcos mais densos e reveladores da fase final da obra, com implicações diretas para o Governo Mundial, Vegapunk e os segredos mais profundos do mundo de One Piece.
O arco Egghead se encerra no final de 2025, com o episódio 1154 vai ao ar no dia 21 de dezembro, com o episódio 1155 indo ao ar no dia 28 de dezembro, preparando o terreno para a pausa estratégica do anime. O timing não é coincidência: a Toei escolheu um momento de grande impacto narrativo para reorganizar sua produção e repensar o ritmo da série.
Esse encerramento funciona como uma espécie de “respiro” criativo antes da próxima grande saga, algo raro em uma obra conhecida por sua serialização quase ininterrupta.
Elbaf inaugura uma nova era para o anime

O arco de Elbaf, previsto para estrear em abril de 2026, será o primeiro totalmente produzido sob o novo modelo. O arco da Terra dos Gigantes chegará com uma proposta clara: menos episódios, mas com maior consistência narrativa, ritmo mais próximo do mangá e um padrão técnico elevado, buscando adaptar um capitulo do mangá por episódio.
Elbaf é aguardado há anos pelos fãs, principalmente por sua ligação direta com a mitologia dos gigantes e com personagens centrais da jornada de Luffy. A expectativa é que o novo formato permita que esse arco receba um tratamento mais cuidadoso, sem a necessidade de alongamentos artificiais ou repetições excessivas de cenas.
Por que One Piece terá apenas 26 episódios por ano

A pergunta que domina as redes é simples: por que mudar agora? A resposta envolve vários fatores.
Primeiro, a proximidade com o mangá. Nos últimos anos, o anime frequentemente precisou desacelerar para não alcançar a publicação de Eiichiro Oda, o que resultou em episódios com pouco avanço narrativo. Com apenas 26 episódios por ano, essa pressão diminui drasticamente.
Segundo, a qualidade da produção. Episódios semanais exigem prazos apertados, o que impacta animação, storyboard e direção. Um cronograma mais espaçado permite planejamento, correções e ambição técnica maior.
Terceiro, a saúde da equipe. A indústria de animes enfrenta críticas constantes por condições de trabalho extremas. A mudança sinaliza uma tentativa de alinhar One Piece a padrões mais sustentáveis.
A reação positiva dos fãs

Para muitos fãs, a notícia de que One Piece terá apenas 26 episódios por ano representa uma evolução necessária. Em fóruns e comunidades especializadas, parte do público celebra a possibilidade de episódios mais bem animados e com ritmo mais fiel ao mangá.
Entre os argumentos mais citados estão:
- Menos episódios “arrastados”
- Melhor adaptação de cenas importantes
- Maior impacto emocional
- Comparação com animes sazonais bem-sucedidos como Attack on Titan e Demon Slayer
Essa ala do fandom vê a mudança como um sinal de maturidade da franquia, que finalmente se adapta às exigências modernas do mercado.
A reação negativa e o medo de perder a tradição

Por outro lado, há quem veja a decisão com preocupação. Para esses fãs, o formato semanal é parte da identidade de One Piece. Assistir a um novo episódio toda semana virou uma tradição que atravessou décadas na comunidade otaku.
As críticas mais comuns incluem:
- Perda do hábito semanal
- Sensação de afastamento da obra
- Longos períodos sem novos episódios
- Medo de queda no engajamento contínuo
Em comunidades brasileiras e internacionais, muitos afirmam que One Piece “não é um anime comum” e que tratá-lo como uma série sazonal pode descaracterizar sua essência.
O impacto na indústria de animes

A decisão da Toei não acontece no vácuo. Nos últimos anos, a indústria tem migrado para modelos mais enxutos, priorizando temporadas fechadas e maior qualidade técnica. One Piece, por ser um gigante histórico, resistiu mais tempo a essa mudança.
Agora, ao adotar o limite de 26 episódios por ano, o anime se alinha a uma tendência global. Isso pode influenciar outras produções longas a repensarem seus formatos, especialmente em um cenário de streaming cada vez mais competitivo. A quantidade certamente é um fator muito atrativo, mas a qualidade não pode ser ignorada. Ainda mais se tratando de uma obra desse tamanho.
Egghead, Elbaf e o futuro da narrativa

Narrativamente, a mudança chega em um momento delicado. A jornada da Tripulação dos Piratas do Chapéu de Palha está claramente em sua reta final, com revelações importantes e arcos cada vez mais conectados. Um ritmo mais controlado pode beneficiar essa fase, permitindo que cada acontecimento tenha o peso adequado.
Elbaf, em especial, carrega expectativas enormes. Se o novo formato funcionar, ele pode se tornar um exemplo de como adaptar grandes arcos sem sacrificar impacto ou profundidade.
Conclusão
No fim das contas, a divisão é inevitável, porque mexe com tradição, rotina e afeto. Ao mesmo tempo, abre espaço para evolução técnica, narrativa mais fiel e melhores condições de produção.
Se a mudança será lembrada como um acerto histórico ou um risco desnecessário, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: One Piece mais uma vez prova que continua relevante, capaz de gerar debate, paixão e discussão global mesmo após mais de 25 anos no ar.
E talvez esse seja o maior legado da obra: nunca parar de evoluir — mesmo quando isso significa dividir opiniões.
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