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Warner Bros. Discovery rejeita oferta hostil da Paramount e alerta para risco bilionário

A disputa corporativa que vem sacudindo Hollywood ganhou mais um capítulo decisivo. E, ao que tudo indica, o conselho da Warner Bros. Discovery não pretende mudar de posição

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Warner Rejeita oferta Hostil da Paramount

Warner Rejeita oferta Hostil da Paramount – O conselho de administração da Warner Bros. Discovery rejeitou novamente a tentativa de aquisição hostil feita pela Paramount Global, classificando a proposta como “inadequada” e representando um “risco significativamente maior” para a empresa e seus acionistas. A decisão foi tornada pública por meio de um novo comunicado oficial divulgado nesta semana.

Segundo o conselho da Warner Bros. Discovery, a oferta apresentada pela Paramount exigiria que a compradora assumisse uma quantia extraordinária de dívida adicional, criando um cenário financeiro considerado perigoso para uma empresa já altamente alavancada e inserida em um mercado em rápida transformação.

Dívida bilionária e risco estrutural no centro da decisão

De acordo com a avaliação do conselho, a Paramount teria que contrair mais de US$ 50 bilhões em novas dívidas para conseguir adquirir a Warner Bros. Discovery, que possui um porte consideravelmente maior. Esse volume de endividamento foi descrito como um risco materialmente mais elevado do que outras alternativas estratégicas atualmente em análise.

Na visão do conselho, aceitar essa proposta significaria comprometer a estabilidade financeira da empresa a longo prazo, especialmente em um momento em que o setor de mídia enfrenta queda de audiência linear, transformação no modelo de streaming e crescente pressão regulatória.

O comunicado também reforça que a dependência de financiamento externo tornaria a operação vulnerável a flutuações econômicas e aumentaria os custos operacionais, reduzindo a flexibilidade da companhia para investir em conteúdo, tecnologia e expansão global.

A influência de Larry Ellison e capital internacional

Grande parte do financiamento proposto pela Paramount viria de Larry Ellison, fundador da Oracle e um dos homens mais ricos do mundo. O envolvimento de Ellison ocorre por meio de seu filho, David Ellison, atual presidente e CEO da Paramount.

Além da fortuna pessoal de Ellison, a estrutura financeira da proposta incluiria aportes vindos de outras fontes internacionais, entre elas fundos associados às famílias reais da Arábia Saudita, do Catar e de Abu Dhabi. Embora esses investidores tragam grande poder de capital, o conselho da Warner Bros. avaliou que a complexidade e o risco geopolítico desse arranjo não compensariam os benefícios da oferta.

Valor por ação não foi suficiente para convencer o conselho

Do ponto de vista estritamente financeiro, a proposta da Paramount oferecia US$ 30 por ação da Warner Bros. Discovery, superando os US$ 27,75 por ação apresentados pela Netflix. No entanto, o conselho destacou que a comparação não pode ser feita apenas pelo valor nominal.

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Isso porque a oferta da Paramount abrangia a totalidade da Warner Bros. Discovery, enquanto a Netflix já deixou claro que não pretende adquirir a divisão de TV a cabo, que inclui ativos como CNN e TNT Sports. Essa diferença estrutural foi considerada fundamental na análise de risco e viabilidade da operação.

Para o conselho, a solidez financeira e a menor exposição a endividamento excessivo pesaram mais do que o valor por ação ligeiramente superior.

Tentativas de reverter a decisão não surtiram efeito

No mês passado, o conselho da Warner Bros. já havia recomendado formalmente que seus acionistas rejeitassem a oferta hostil da Paramount. Desde então, a Paramount tentou ajustar sua estratégia para tornar a proposta mais atraente.

Entre as medidas adotadas, David Ellison afirmou que garantiria pessoalmente sua participação no negócio e permitiria que os acionistas da Warner Bros. examinassem as finanças de seu fundo familiar. A Paramount também aumentou a multa rescisória do acordo para igualar os termos da proposta da Netflix.

Nada disso, porém, foi suficiente para alterar a posição do conselho da Warner Bros. Discovery, que manteve sua avaliação negativa e reafirmou a preferência por outras alternativas estratégicas.

Próximos passos ainda estão em aberto

Com a rejeição agora tornada pública, a Paramount ainda possui algumas opções. A empresa pode tentar recorrer diretamente aos acionistas da Warner Bros. Discovery, forçando uma votação que ignore a recomendação do conselho. Outra possibilidade seria aumentar ainda mais a oferta, superando os US$ 30 por ação atualmente propostos.

Por fim, existe a alternativa de a Paramount abandonar completamente a tentativa de aquisição, admitindo a derrota em uma disputa que se tornou cada vez mais complexa e politicamente sensível.

A sombra da Netflix e os desafios regulatórios

A oferta hostil da Paramount surgiu logo após a Netflix emergir como vencedora de uma longa disputa de lances, com um acordo avaliado em US$ 82,7 bilhões. Ainda assim, mesmo que a Paramount saia do jogo, a proposta da Netflix está longe de ser um caminho livre.

O negócio já provocou reações duras de membros do Congresso dos Estados Unidos e deve enfrentar intenso escrutínio antitruste. Pelo menos um assinante da HBO Max já entrou com um processo contra a Netflix, alegando que a aquisição reduziria a concorrência no mercado americano de vídeo sob demanda por assinatura.

Cinema, streaming e o temor de mudanças drásticas

Outro ponto sensível envolve o futuro dos lançamentos nos cinemas. Segundo relatos, a Netflix pretende reduzir a janela de exibição teatral dos filmes da Warner Bros. para apenas 17 dias, caso a aquisição seja concluída. A empresa já afirmou que manterá os lançamentos nos cinemas no curto prazo, mas admitiu que os períodos devem se tornar progressivamente mais curtos, em nome da conveniência do usuário.

Essa perspectiva tem gerado forte resistência entre exibidores, cineastas e parte do público.

Por que a Warner Bros. é tão valiosa para a Netflix

Relatórios recentes indicam que o principal interesse da Netflix está no vasto catálogo da Warner Bros., que inclui décadas de filmes, séries, personagens icônicos e propriedades intelectuais valiosas. A plataforma vê esse acervo como estratégico não apenas para streaming tradicional, mas também para o desenvolvimento futuro de ferramentas e conteúdos baseados em inteligência artificial.

No centro dessa disputa, a Warner Bros. Discovery se encontra em uma posição delicada, equilibrando interesses financeiros, pressões regulatórias e o futuro da própria indústria do entretenimento.

O desfecho ainda é incerto. Mas uma coisa é clara: Hollywood vive um de seus momentos mais decisivos em décadas.

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