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Larian Studios detalha estratégia de IA e defende arte humana em ‘Divinity’

Larian Studios detalha estratégia de IA e defende arte humana em 'Divinity'
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A Larian Studios encontrou-se no centro de um acalorado debate nas últimas horas após surgirem questionamentos sobre a integridade artística de suas produções mais recentes. Em um cenário onde a intersecção entre tecnologia e criatividade é cada vez mais escrutinada, o aclamado estúdio belga — responsável pelo sucesso monumental de Baldur’s Gate 3 — veio a público esclarecer sua posição quanto ao uso de ferramentas de inteligência artificial generativa em suas propriedades intelectuais, especificamente na franquia Divinity.

A controvérsia, iniciada em fóruns especializados, levantou preocupações sobre a possível substituição de talentos humanos por algoritmos, uma pauta sensível na indústria do entretenimento atual.

A resposta da Larian Studios diante das acusações

A movimentação começou quando usuários atentos no Reddit apontaram inconsistências visuais em materiais promocionais recentes associados ao universo de Divinity: Original Sin. As imagens apresentavam artefatos típicos de geração por IA, o que gerou uma resposta imediata e cética da comunidade. Reconhecida por sua dedicação artesanal e narrativas profundas, a Larian Studios agiu rapidamente para controlar a narrativa e oferecer transparência aos seus consumidores.

Larian Studios detalha estratégia de IA e defende arte humana em 'Divinity' 1

Segundo o comunicado emitido pelo estúdio e reportado por veículos internacionais como o VGC, houve uma distinção crucial feita pela empresa: a diferença entre “criação generativa” e “assistência processual”. O estúdio confirmou que, embora tecnologias de IA sejam, de fato, empregadas em seus fluxos de trabalho, elas servem estritamente para otimizar processos secundários e técnicos, jamais para substituir a alma criativa do projeto.

A declaração enfatizou categoricamente que o design conceitual — a etapa onde a identidade visual de personagens e mundos é forjada — e a escrita dos roteiros permanecem processos 100% humanos. Essa distinção é vital para a reputação da empresa, que construiu seu prestígio baseando-se na complexidade e na humanidade de seus personagens e tramas.

O papel da tecnologia no desenvolvimento moderno

É importante contextualizar que o uso de ferramentas automatizadas não é novidade no desenvolvimento de jogos “Triple A”. O esclarecimento da Larian Studios lança luz sobre uma prática comum, mas muitas vezes mal interpretada. Ferramentas de IA são frequentemente utilizadas para:

  • Upscaling de texturas e correção de ruído visual;
  • Preenchimento procedimental de cenários (como a distribuição de folhagem em uma floresta);
  • Otimização de códigos e depuração de erros técnicos.

No entanto, a linha tênue que a indústria tenta não cruzar é a utilização dessas ferramentas para criar ativos finais que substituem o trabalho de artistas conceituais e escritores. Ao reafirmar que o núcleo criativo de Divinity não foi delegado a máquinas, a desenvolvedora tenta apaziguar uma base de fãs que valoriza a autenticidade.

O contexto da indústria e a desconfiança do público

A sensibilidade do público não é infundada. Recentemente, outras gigantes do setor, como a Wizards of the Coast (detentora de Dungeons & Dragons), enfrentaram reações adversas severas após a descoberta de arte de IA em livros de RPG. Nesse clima de desconfiança, qualquer sinal visual que remeta a algoritmos — como dedos extras em personagens ou texturas inconsistentes — torna-se um estopim para críticas.

Larian Studios detalha estratégia de IA e defende arte humana em 'Divinity' 2

Para um estúdio como a Larian Studios, cuja liderança sob a figura de Swen Vincke sempre advogou pela liberdade criativa e pelo respeito ao jogador, essas acusações poderiam ser particularmente danosas. Baldur’s Gate 3 foi celebrado mundialmente justamente por parecer um jogo “feito à mão” em uma escala massiva, contrastando com títulos que parecem produtos puramente comerciais.

Compromisso com a arte humana

O episódio serve como um lembrete de que a transparência é a nova moeda de valor na indústria de jogos. Os jogadores estão cada vez mais educados visualmente para detectar o uso de IA e exigem saber a origem do conteúdo que consomem. Ao admitir o uso de ferramentas auxiliares, mas traçar uma linha vermelha na criação artística e literária, a desenvolvedora busca um equilíbrio pragmático.

Para conferir mais detalhes sobre a cobertura original e o posicionamento da indústria sobre o tema, você pode acessar a reportagem completa no portal Video Games Chronicle (VGC), que detalhou a cronologia dos eventos.

Em última análise, a defesa da arte feita por humanos em Divinity não é apenas uma questão técnica, mas filosófica. Ela reitera que, apesar da conveniência da automação, a nuance, a subversão e a emoção de uma grande história de RPG ainda dependem da mente humana para existirem de forma genuína. Resta saber se essa clarificação será suficiente para estancar as críticas nos fóruns mais exigentes da internet.

Fonte: Videogameschronicle.com

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