Thriller da Netflix com Atores Renomados
Thriller da Netflix com Atores Renomados – Disponível na Netflix, Green Room é um daqueles filmes que não pedem atenção. Eles a tomam à força. Lançado em 2015 e produzido pela A24, o longa dirigido por Jeremy Saulnier mistura terror, suspense e violência extrema em uma narrativa de cerco que se recusa a aliviar a tensão em qualquer momento.
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O que torna essa experiência ainda mais curiosa é o encontro improvável de duas figuras icônicas do universo Star Trek em lados opostos de um confronto brutal. De um lado, Patrick Stewart, eternizado como o Capitão Jean-Luc Picard em Star Trek: A Nova Geração. Do outro, o falecido Anton Yelchin, que interpretou Pavel Chekov nos filmes do universo Kelvin da franquia.
Quando o palco vira uma armadilha
A trama acompanha a banda punk Ain’t Rights, um grupo de músicos à margem da cena underground, tentando sobreviver financeiramente enquanto cruza o interior dos Estados Unidos em uma turnê mal remunerada. O que deveria ser apenas mais um show se transforma em pesadelo quando eles aceitam tocar em um bar isolado no noroeste do Pacífico.
O detalhe que muda tudo surge tarde demais. O local é um reduto neonazista. Ao perceberem o ambiente hostil, a banda reage da única forma que conhece, tocando um cover provocador de “Nazi Punks F** Off”*, clássico do Dead Kennedys. O gesto, além de simbólico, sela seu destino.
Nos bastidores, os músicos testemunham um assassinato. A partir desse momento, deixam de ser apenas visitantes indesejados e passam a ser um problema que precisa ser eliminado.
Patrick Stewart em sua face mais aterradora
Longe de qualquer traço de heroísmo, Patrick Stewart interpreta Darcy, o líder frio e calculista da gangue de skinheads que controla o bar. Não se trata de um vilão explosivo ou caricatural. Darcy é assustador justamente por sua calma, sua lógica implacável e sua capacidade de manipular pessoas como peças descartáveis.

Ver Stewart nesse papel é uma experiência desconcertante. O ator subverte completamente a imagem de liderança ética e racional que construiu ao longo da carreira. Aqui, ele não comanda uma nave espacial. Ele coordena execuções.
Sua presença confere ao filme uma gravidade inesperada, tornando o antagonista mais humano e, por isso mesmo, mais assustador.
Anton Yelchin e a fragilidade como força dramática
No papel de Pat, o baixista da Ain’t Rights, Anton Yelchin entrega uma de suas atuações mais dolorosas. Vulnerável, confuso e claramente fora de seu elemento, Pat não é um herói tradicional. Ele erra, hesita e entra em pânico. E é justamente essa fragilidade que torna sua jornada tão angustiante.

A experiência de assistir a Green Room ganha um peso adicional pela morte prematura de Yelchin, em 2016. Há algo profundamente triste em vê-lo em um papel tão exposto emocionalmente, lutando para sobreviver em um mundo que parece constantemente prestes a esmagá-lo.
Sua atuação não busca bravura, mas sobrevivência. E isso faz toda a diferença.
Violência crua, sem glamour
Jeremy Saulnier não suaviza nada. Em Green Room, a violência é seca, abrupta e profundamente desconfortável. Não há trilha sonora que alivie o impacto nem enquadramentos que embelezem o horror. Cada ferimento parece real. Cada morte é sentida.
O gore é tão eficaz que acabou influenciando outros cineastas. O diretor Ryan Coogler chegou a contratar o artista de efeitos especiais Mike Fontaine, responsável pelo trabalho em Green Room, para repetir o impacto visceral em seu filme Sinners.
Este não é um terror confortável. É um terror que incomoda, que deixa o espectador tenso e exausto, exatamente como seus personagens.
Elenco afiado e personagens memoráveis
Além de Stewart e Yelchin, o filme conta com atuações fortes de Macon Blair, colaborador frequente de Saulnier, Alia Shawkat e Imogen Poots. Cada personagem adiciona uma camada de tensão e humanidade à narrativa.
O grupo encurralado no camarim precisa improvisar, errar e reagir. Não há planos perfeitos. Apenas tentativas desesperadas de sair vivo.
E quando a violência se volta contra os próprios nazistas, o filme encontra momentos de catarse sombria, sem nunca se tornar celebratório.
Um filme que funciona melhor sem aviso
Green Room é o tipo de obra que se beneficia do desconhecimento. Saber demais estraga o impacto. As reviravoltas são rápidas, cruéis e inesperadas. O medo surge justamente da sensação de que qualquer decisão errada pode ser fatal.
É um filme que exige entrega total do espectador. Não para distrair, mas para confrontar.
Por que assistir agora
Em meio a tantas produções formatadas para agradar algoritmos, Green Room se destaca por não pedir permissão. Ele existe para incomodar, provocar e chocar. E faz isso com precisão cirúrgica.
Se você procura um terror intenso, com atuações marcantes, violência sem glamour e uma narrativa que não subestima o público, esta é uma escolha certeira.
E se a ideia de ver dois ícones de Star Trek em um confronto brutal e inesperado já desperta curiosidade, Green Room entrega algo ainda mais raro: um filme que permanece na mente muito depois de os créditos subirem.
Uma joia escondida. Sangrenta, incômoda e absolutamente inesquecível.
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