PlayStation Store remove centenas de jogos
A curadoria de conteúdo da PlayStation Store está passando por uma rigorosa revisão, com a Sony Interactive Entertainment tomando medidas decisivas para remover títulos de baixa qualidade de sua vitrine digital.
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Esta ação, que visa preservar a integridade do ecossistema PlayStation, responde a uma crescente insatisfação da comunidade e de desenvolvedores sérios quanto à proliferação de “shovelware” — jogos desenvolvidos com esforço mínimo, muitas vezes reutilizando ativos genéricos e focados exclusivamente na venda de troféus fáceis.
O impacto do shovelware na experiência da PlayStation Store
Nos últimos anos, a loja digital da Sony viu um influxo massivo de títulos que pouco agregam ao valor de entretenimento da plataforma. Jogos com premissas simplórias, como acariciar um animal estático ou fazer uma comida pular na tela repetidamente, inundaram a seção de novos lançamentos. Segundo apuração baseada em relatórios recentes, diversos desses títulos começaram a desaparecer silenciosamente da plataforma, indicando um expurgo coordenado.
O fenômeno não é exclusivo da PlayStation Store, afetando também a Nintendo eShop e o Steam, mas a resposta da Sony demonstra uma mudança de postura em relação ao controle de qualidade. A presença excessiva desses jogos cria um ruído visual que prejudica a descoberta de títulos independentes legítimos. Pequenos estúdios, que investem anos no desenvolvimento de experiências narrativas ou mecânicas complexas, acabam tendo seus lançamentos soterrados por dezenas de variações do mesmo jogo de “clique rápido” lançados na mesma semana.
A desvalorização do sistema de Troféus
Um dos principais atrativos para a compra desses jogos de baixa qualidade é a promessa de uma Platina rápida. O sistema de Troféus da PlayStation, originalmente concebido para recompensar a habilidade e a dedicação dos jogadores, foi gamificado de maneira predatória por desenvolvedores de shovelware. Títulos que permitem desbloquear a conquista máxima em menos de cinco minutos, muitas vezes vendendo versões separadas para regiões diferentes (stacking) para multiplicar os troféus, inflacionaram artificialmente os perfis de muitos usuários.
Ao remover esses jogos, a Sony não apenas limpa a vitrine, mas tenta restaurar o prestígio de seu sistema de recompensas. A empresa já havia emitido comunicados anteriormente alertando os desenvolvedores sobre o “spam” de conteúdo e a repetição excessiva de ativos, sinalizando que a paciência da gigante japonesa estava se esgotando. A ação atual parece ser a concretização dessas ameaças, bloqueando a comercialização de produtos que violam o espírito de competição leal da plataforma.
Reação da comunidade e preservação digital
Embora a maioria dos jogadores celebre a remoção desses títulos, a ação levanta debates sobre preservação digital e direitos do consumidor. Jogadores que adquiriram anteriormente licenças de jogos agora removidos geralmente mantêm o acesso ao download através de suas bibliotecas, mas a impossibilidade de novas compras sinaliza o fim da linha para certos desenvolvedores oportunistas.
A definição de “shovelware” pode ser subjetiva, mas o mercado tende a concordar que “asset flips” (jogos feitos apenas com pacotes de recursos prontos comprados em lojas de motores gráficos como Unity) sem nenhuma alteração criativa cruzam a linha do aceitável. Para entender melhor o conceito de shovelware e seu histórico na indústria, é importante notar que esta prática remonta às eras dos cartuchos, mas ganhou escala industrial com a distribuição digital.
Para os consumidores que navegam diariamente pela loja em seus consoles PS5 ou PS4, a expectativa é que as seções de “Novidades” e “Lançamentos” voltem a destacar obras que mereçam a atenção e o tempo do jogador. A curadoria é um pilar essencial para qualquer plataforma de entretenimento premium, e a atitude da Sony reforça seu compromisso em manter o PlayStation como um ambiente focado em qualidade, e não apenas em volume numérico de títulos disponíveis.
Fonte: Gamerant.com
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