Marc-Alexis Côté, uma das figuras mais influentes na história recente da Ubisoft e peça-chave na evolução da franquia Assassin’s Creed, formalizou um processo judicial contra a desenvolvedora francesa, alegando ter sido vítima de uma demissão forçada. A notícia abala as estruturas da empresa, que já enfrenta um período turbulento marcado por adiamentos de lançamentos importantes e instabilidade no mercado de ações. O executivo, que dedicou duas décadas à companhia, busca uma reparação financeira significativa, expondo os bastidores de uma reestruturação corporativa controversa.
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As alegações de Marc-Alexis Côté e o contexto da demissão
O cerne do litígio reside na forma como a saída do executivo foi conduzida. Segundo os documentos apresentados à Corte Superior de Montreal, Marc-Alexis Côté afirma que sua partida não foi voluntária, mas sim o resultado de uma estratégia interna para isolá-lo profissionalmente. O veterano argumenta que foi coagido a deixar seu cargo de liderança executiva, onde supervisionava o futuro da aclamada série dos assassinos, em meio a manobras corporativas que envolviam a alta cúpula da empresa.
A defesa de Côté sustenta a tese de “demissão construtiva” (ou rescisão indireta), alegando que a Ubisoft alterou unilateralmente e substancialmente as condições de seu contrato de trabalho, tornando a permanência insustentável. O valor da indenização pleiteada gira em torno de 1,35 milhão de dólares canadenses (aproximadamente US$ 1 milhão), montante que refletiria os danos morais, as perdas salariais e o desrespeito ao tempo de serviço prestado pelo executivo.
A manobra envolvendo a Tencent e a nova subsidiária
Um dos pontos mais complexos do processo envolve a relação da Ubisoft com a gigante tecnológica chinesa Tencent. De acordo com as informações apuradas, a reestruturação que culminou na saída de Côté estaria ligada aos movimentos da família Guillemot — fundadores da empresa — para manter o controle acionário frente às pressões do mercado.
Relatos indicam que, como parte dessa estratégia de preservação de controle, foi criada uma nova subsidiária. Côté alega que foi transferido para esta nova entidade, uma movimentação que, na prática, esvaziou suas responsabilidades e retirou sua autoridade sobre os projetos que comandava. Essa transferência é descrita pela acusação como uma tática para forçar o executivo a pedir demissão, evitando assim o pagamento de pacotes de rescisão robustos que seriam devidos em uma demissão direta sem justa causa.
Este cenário ilustra as tensões internas que muitas vezes acompanham grandes fusões ou parcerias estratégicas no setor de tecnologia. Para entender melhor a magnitude da influência da Tencent no mercado global de jogos, vale consultar o histórico de investimentos da empresa em diversos estúdios ocidentais, conforme detalhado em sua página corporativa na Wikipedia.
O legado de Côté e a crise na Ubisoft
A saída de um profissional do calibre de Côté não é um evento isolado, mas sim um sintoma de um momento delicado para a Ubisoft. Durante seus 20 anos na casa, ele foi fundamental na transição da franquia Assassin’s Creed para o modelo de RPG de ação, supervisionando títulos de sucesso comercial como Assassin’s Creed Odyssey e o ambicioso projeto Assassin’s Creed Infinity.
No entanto, a empresa tem enfrentado críticas severas de investidores e jogadores. O adiamento de Assassin’s Creed Shadows para 2025 e o desempenho abaixo do esperado de Star Wars Outlaws colocaram a gestão de Yves Guillemot sob escrutínio. A ação judicial movida por Côté adiciona uma camada extra de complexidade à reputação da empresa, sugerindo que as dificuldades financeiras e criativas estão gerando conflitos irreconciliáveis no alto escalão da gestão.
Especialistas da indústria apontam que este processo pode abrir precedentes perigosos para a Ubisoft. Caso as alegações de Côté sejam comprovadas em tribunal, a imagem da empresa como empregadora pode ser severamente prejudicada, dificultando a atração de talentos seniores necessários para reerguer seus grandes projetos. Além disso, expõe a fragilidade das alianças corporativas feitas para blindar a liderança atual contra aquisições hostis.
Enquanto o processo tramita na justiça canadense, a comunidade gamer observa com atenção. O desfecho deste embate legal poderá revelar muito mais sobre os bastidores da produção de jogos AAA do que os comunicados de imprensa oficiais costumam admitir. Resta saber como essa disputa impactará o desenvolvimento dos próximos capítulos da saga dos Assassinos e a estabilidade da própria Ubisoft no longo prazo.
Fonte: Gamevicio.com
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