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O Cavaleiro dos Sete Reinos: Crítica do Episódio 3

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A cada novo episódio, O Cavaleiro dos Sete Reinos vai deixando mais evidente que sua força está em reviravoltas explosivas e na construção paciente de destino, identidade e contraste.

Se os dois primeiros capítulos apresentaram a estrada e o desejo de pertencimento, o terceiro episódio desloca o foco e entrega muito bem o bastão narrativo a Egg.

Nesta crítica do Episódio 3 de O Cavaleiro dos Sete Reinos, mostramos que a série assume sem medo que já está no meio do caminho.

Não há mais tempo para apenas apresentar o mundo. É hora de revelar intenções, tensionar relações e preparar o terreno para conflitos maiores.

“O Escudeiro” funciona como um episódio de revelação no sentido literal e também simbólico. O que estava implícito desde o início finalmente encontra forma, nome e consequência.


O Cavaleiro dos Sete Reinos: Crítica do Episódio 3 – O Escudeiro

O terceiro episódio, intitulado O Escudeiro, desloca o eixo da narrativa ao colocar Egg no centro da história.

Nos dois primeiros episódios, acompanhamos Duncan como o corpo em movimento dessa jornada.

Aqui, Egg assume outro papel: torna-se sua consciência, sua sombra constante e, por fim, o segredo mais bem guardado dessa jornada.

O episódio se estrutura em torno de aprendizado, violência e destino.

Treinar, observar e sobreviver deixam de ser apenas ferramentas narrativas e passam a revelar quem cada personagem realmente é quando pressionado.


Um episódio de virada na jornada de Duncan e Egg

Diferente dos capítulos anteriores, “O Escudeiro” não trabalha apenas a tentativa, mas a consequência.

Cada decisão tomada até aqui começa a cobrar seu preço.

A relação entre Duncan e Egg amadurece e vemos esse desenvolvimento nos gestos cotidianos: treinar com o cavalo, costurar roupas rasgadas, cantar canções antigas. São nesses detalhes que a série encontra sua humanidade.

E, como é típico da obra de George R. R. Martin, a calmaria nunca dura muito.


Análise narrativa do Episódio 3

Análise narrativa do Episódio 3

O episódio começa com Egg treinando com o cavalo. Como de costume, as cenas da série não são gratuitas: a abordagem é um sinal claro de que a hora do escudeiro brilhar chegou.

A câmera observa com paciência, permitindo que o espectador perceba o esforço, a disciplina e a frustração do garoto.

Em seguida, surge Sir Robyn Rhysling, o cavaleiro de tapa-olho que adiciona uma camada de estranheza e ameaça ao ambiente.

A presença dele reforça uma ideia central do episódio: nem todo cavaleiro é nobre, nem toda nobreza vem da espada.

É importante mencionar que Sir Robyn será importante na trama. Nada nessa série é jogado.

A narrativa segue alternando momentos íntimos com cortes secos que mudam completamente o clima.

Quando Duncan recebe uma proposta para derrubar Ser Androw Farman, o episódio deixa claro que a sorte, até aqui aliada, começa a cobrar algo em troca.

A montagem é precisa. O espectador sente que algo está fora do lugar, mesmo antes de a violência explodir.


Construção de personagens

Construção de personagens

Egg: o escudeiro que carrega o futuro

Este é, sem dúvida, o episódio de Egg. Pequenos detalhes acumulados desde a estreia finalmente encontram significado.

A cena em que ele canta uma canção antiga sobre os Targaryen é mais uma pista — agora impossível de ignorar.

Para quem conhece os livros, a revelação já era esperada. Para quem não conhece, ela chega no tempo exato.

A série acerta ao não tratar o segredo como choque, mas como inevitabilidade.

Egg não é apenas um garoto curioso. Ele observa, aprende e guarda informações demais para alguém de sua suposta origem.

Seu comportamento sempre destoou — e agora entendemos por quê.

Duncan: honra em um mundo sem honra

Duncan segue sendo um protagonista profundamente humano.

Sua cena ensinando Egg a remendar roupas é simbólica: ele transmite não apenas um ofício, mas uma ética.

Quando entra em conflito com Aeryn Targaryen, após o príncipe agredir a mulher responsável por pintar seu escudo, Duncan age por impulso moral.

É impossível não sentir ódio pelo Targaryen ali — e isso é proposital.

Diferente da imagem mítica construída por Daenerys em Game of Thrones, aqui vemos a fama ruim da Casa Targaryen, marcada por arrogância, violência e desprezo pelo povo comum.


Direção, roteiro e simbolismos

Direção, roteiro e simbolismos

A direção mantém uma estética crua, mas adiciona um elemento novo: presságio. A cena da vidente é central para o episódio e ecoa diretamente os livros.

Ela afirma que Duncan será rico e que Egg será rei. O impacto da profecia não está na surpresa, mas na confirmação.

A cada referência desse tipo, a série provoca o espectador: sabemos o destino, mas não o caminho.

O roteiro trabalha bem o contraste entre violência e destino. Durante outra disputa entre cavaleiros, um Targaryen aplica um golpe baixo, provocando revolta do povo. O que começa como uma cena de ação, se torna um comentário sobre abuso de poder.

A intenção é mostrar que ao contrário do que se imagina da nobreza, linhagem não garante honra.


Conexões com o universo de Game of Thrones e a obra de George R. R. Martin

Conexões com o universo de Game of Thrones e a obra de George R. R. Martin

“O Escudeiro” é o episódio que mais se conecta ao futuro de Westeros.

A revelação de Egg sendo um dos Targaryen não é apenas um gancho narrativo — é uma ponte direta com os eventos que moldarão o reino décadas depois.

A série dialoga com os livros ao apresentar a profecia como fardo de Egg, já que na trama, saber quem você é pode ser tão perigoso quanto ignorar completamente sua origem.

Ao contrário de House of the Dragon, que trata da decadência do poder absoluto, O Cavaleiro dos Sete Reinos mostra o nascimento silencioso de uma liderança improvável.

Essa conexão já vinha sendo preparada desde os episódios anteriores, inclusive na crítica do Episódio 2 publicada no Galáxia Nerd. Se ainda não leu, pode conferir clicanco [aqui].


Ritmo, revelação e ponto de virada

Ritmo, revelação e ponto de virada

Diferente dos episódios anteriores, este não soa arrastado. A série entende que está no meio da temporada e não pode mais encher linguiça.

O ritmo é firme, seguro e progressivo.

A revelação final não é apressada, nem exagerada. Ela acontece porque precisa acontecer. O episódio foi muito bem construído para isso.

Quando chegamos ao fim, fica claro que nada do que vimos até agora foi aleatório. O capítulo descortina a trama nos tempos certos, conduzindo o espectador até um ápice inevitável.


Conclusão

Nesta crítica de O Cavaleiro dos Sete Reinos – Episódio 3, fica evidente que O Escudeiro é o melhor episódio da série até agora.

E não é por ser o mais explosivo, mas por ser o mais honesto com sua própria proposta.

A revelação de Egg era esperada, mas ainda assim foi impactante. Duncan segue como o eixo moral da história, enquanto o mundo ao redor começa a mostrar suas garras.

Estamos oficialmente na metade da temporada — e, finalmente, entendemos do que essa jornada realmente se trata.

A grandeza aqui não vem pronta. Ela se constrói de forma silenciosa, desengonçada e profundamente humana.

E você, o que achou do Episódio 3?

Deixe sua opinião nos comentários e acompanhe no Galáxia Nerd nossa crítica semanal de O Cavaleiro dos Sete Reinos.

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