Após a revelação de Egg no capítulo anterior, O Cavaleiro dos Sete Reinos entra em sua fase mais decisiva.
Se antes a jornada era sobre pertencimento e identidade, agora ela é sobre consequência.
O quarto capítulo abandona qualquer ambiguidade e coloca Duncan diante da pergunta que ecoa desde a estreia: ele é, de fato, um bom cavaleiro?
Nesta crítica do Episódio 4 de O Cavaleiro dos Sete Reinos, analisamos como “Os Sete” transforma honra em conflito aberto e prepara o maior confronto da temporada até aqui.
O episódio não traz um espetáculo gratuito, ele constrói tensão por meio de conversas, símbolos e escolhas morais.
E quando finalmente explode, o faz com peso narrativo.
Aqui, não acompanhamos mais apenas um cavaleiro andante tentando sobreviver. Vemos o nascimento de um símbolo.
O Cavaleiro dos Sete Reinos: Crítica do Episódio 4 – Os Sete
O quarto episódio, intitulado “Os Sete”, funciona como o ponto de virada definitivo da temporada.
A revelação da identidade de Egg altera completamente a dinâmica entre os protagonistas. O silêncio que abre o capítulo deixa claro: algo mudou para sempre.

Dunk está ferido, emocionalmente mais do que fisicamente. Sentindo-se traído, ele encara o peso de ter sido mantido na ignorância.
Egg, por sua vez, não é mais apenas o garoto esperto. Ele agora carrega o peso de sua linhagem.
O episódio desloca o foco da surpresa para a responsabilidade.
A pergunta que passa a dominar a narrativa é simples e devastadora: a honra ainda significa algo em Westeros?
Um episódio sobre julgamento e honra
Se o Episódio 3 foi sobre revelação, o Episódio 4 é sobre julgamento — literal e simbólico.
Duncan é convocado para falar com Baelor Targaryen.
A conversa é central para o capítulo. O contraste entre Dunk e Daeron Targaryen,o Bêbado é evidente: de um lado, a honra construída na estrada; do outro, a arrogância de quem nasceu no topo.
A pergunta se repete como um martelo narrativo:
“Você é um bom cavaleiro? De verdade?”
Essa insistência não é gratuita. A série usa o diálogo para reforçar o tema central da temporada.
Neste episódio, fica claro que ser cavaleiro não é portar espada ou ostentar brasão. É sustentar escolhas quando ninguém está olhando.

Julgamento de Sete: tradição e destino
Ao pedir julgamento por combate, Dunk tenta resolver a situação dentro do código da cavalaria.
A resposta é ainda mais antiga e solene: Julgamento de Sete.
Sete homens contra sete homens. Um direito quase esquecido. Uma tradição que carrega o peso da fé e do destino.
Esse é o momento em que deixa claro que estamos diante de algo maior do que um simples conflito pessoal.
O combate torna-se uma metáfora do próprio Westeros: honra contra privilégio, estrada contra trono.
Duncan precisa encontrar seis cavaleiros que aceitem lutar ao seu lado. Mais uma vez, ele é lançado à própria sorte — ou, como sugere o episódio, à sorte dos Sete.
Construção de personagens
Duncan: honra em estado bruto
Dunk já não é apenas o cavaleiro desajeitado que conhecemos na estreia. Aqui vemos um homem pressionado pelo destino.
Sir Steffon Fossoway inicialmente se levanta ao seu lado, reafirmando o tema da honra. No entanto, a traição posterior — quando troca lealdade por título — reforça a fragilidade dos juramentos em Westeros.

A dúvida corrói Duncan. Ele se pergunta se fez o certo. Essa insegurança é essencial: a série mantém seu protagonista humano, falível e vulnerável.
Quando Raymond Fossoway pede para ser nomeado cavaleiro para substituir o primo, temos um dos momentos mais fortes do episódio.
O juramento ecoa como um lembrete do que está em jogo.
E então Dunk se volta ao público. Ele fala de seu antigo mestre, da honra como legado, da responsabilidade de quem veste uma armadura.
O discurso não é inflamado, é sincero. E é nessa sinceridade que reside sua força.
Egg: entre príncipe e escudeiro
Egg continua sendo o eixo silencioso da narrativa. Ele revela detalhes sombrios da própria família — incluindo histórias cruéis sobre o irmão.
A presença de um Targaryen decadente, atormentado por sonhos com fogo e dragões mortos, adiciona uma camada simbólica poderosa. Westeros está longe do esplendor que associamos à Casa do Dragão.
Aqui vemos sua sombra.
A visão envolvendo Dunk, fogo e um dragão morto funciona como prenúncio e comentário histórico ao mesmo tempo.
Direção, roteiro e simbolismos
A direção mantém o padrão elevado da temporada. O episódio é construído em camadas visuais e simbólicas.
O escudo restaurado é um dos elementos mais fortes do capítulo.

A árvore frondosa pintada sobre o fundo crepuscular não foi escolhida apenas por uma questão estética.
As folhas verdes indicam verão — juventude, começo, potencial. A estrela cadente sugere destino.
O ferreiro recupera a borda enferrujada. O passado de Dunk é remendado, mas não apagado.
A rima do antigo escudo retorna:
“Carvalho e ferro, guardem-no bem, ou então estou morto, e condenado ao inferno.”
A repetição reforça que identidade não é herdada, é construída.
O episódio culmina na formação final do grupo. A neblina no campo de combate cria atmosfera de presságio. O silêncio antes do confronto é carregado de tensão.
E então, no ápice, Baelor se levanta ao lado de Dunk. A trilha clássica de Game of Thrones toca ao fundo. Não é fan service vazio, é conexão temática.
O episódio termina com a fala do novo aliado de nosso protagonista:
“Que os Deuses decidam o destino.”
Conexões com Game of Thrones e a obra de George R. R. Martin
Dentre todos os episódios até agora, esse é o que mais dialoga com o futuro de Westeros.
O Julgamento de Sete remete diretamente às tradições religiosas e jurídicas exploradas nos livros de George R. R. Martin. A ideia de que os deuses participam do destino humano reforça o fatalismo presente na saga.
A decadência da Casa Targaryen também ecoa temas explorados em House of the Dragon: poder absoluto gera distorção moral.
Mas há uma diferença muito grande aqui.
Enquanto outras séries mostram reis e rainhas no auge, aqui vemos a construção silenciosa de um líder improvável. Dunk não nasceu para o poder, mas está sendo moldado por ele.
Essa é a grande força narrativa da série.
Ritmo e tensão: equilíbrio após a revelação
Depois do impacto do Episódio 3, havia o risco de o quarto capítulo soar anticlimático. Não acontece.
O ritmo é firme e progressivo e cada diálogo prepara gradualmente o terreno para o confronto final.
Não há sensação de “enchimento”. Pelo contrário: tudo converge para o julgamento.
Quando o episódio termina, não há resolução da batalha. O episódio termina com o tom certo, gerando expectativa para a próxima semana.
E essa escolha é estratégica.
Conclusão
Nesta crítica do episódio 4 de O Cavaleiro dos Sete Reinos, fica evidente que “Os Sete” consolida a maturidade da série.
O tema da honra deixa de ser conceito e se transforma em prova concreta. Duncan não pode mais apenas falar sobre o que acredita, ele precisa lutar por isso.
Egg já não é apenas um escudeiro curioso. Ele é herdeiro de um legado perigoso.
Ambos estão inseridos no Julgamento de Sete, cada um em sua posição muito bem construída, rumo ao teste moral.
Ao final, entendemos que O Cavaleiro dos Sete Reinos não está contando a história de um homem destinado à grandeza. Está mostrando como a grandeza é construída, com dúvida, risco e escolha.
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