Por que a Sony Fechou a Bluepoint Games ?
A Bluepoint Games, estúdio renomado mundialmente por elevar o padrão de remakes e remasterizações, teve seu fechamento oficialmente confirmado pela Sony Interactive Entertainment. A notícia, que pegou a comunidade gamer de surpresa nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, marca o fim de uma era para a marca PlayStation. Segundo relatos iniciais confirmados pela Bloomberg e validados por porta-vozes da própria Sony, o estúdio de Austin encerrará suas atividades definitivamente em março de 2026, resultando na demissão de aproximadamente 70 funcionários altamente qualificados.
O fim da Bluepoint Games e o impacto na indústria
O encerramento das operações da Bluepoint Games não é apenas uma perda de talentos, mas um sinal alarmante das mudanças de estratégia dentro da Sony. Fundado em 2006 por ex-membros da Retro Studios, o estúdio construiu uma reputação impecável como os “mestres da remasterização”. Ao longo de duas décadas, eles entregaram projetos que não apenas atualizavam gráficos, mas redefiniam como clássicos deveriam ser experienciados no hardware moderno.
A decisão de fechar o estúdio ocorre após uma rigorosa revisão de negócios conduzida pela liderança da PlayStation. Em comunicado oficial, a Sony afirmou: “A Bluepoint Games é uma equipe incrivelmente talentosa e sua experiência técnica proporcionou experiências excepcionais para a comunidade PlayStation. Agradecemos a eles por sua paixão, criatividade e habilidade”. No entanto, as palavras de gratidão fazem pouco para suavizar o golpe para os fãs que esperavam ver o que o estúdio faria com uma propriedade intelectual (IP) original.
O projeto cancelado de God of War e o pivô para Live-Service
Fontes próximas ao desenvolvimento revelaram que o declínio da Bluepoint Games começou silenciosamente em 2024. Após a aquisição pela Sony em 2021, o estúdio foi incumbido de desenvolver um projeto de serviço ao vivo (live-service) ambientado no universo de God of War. Este título, que prometia ser uma experiência multiplayer expansiva, foi cancelado internamente em janeiro de 2025 após não atingir os marcos de qualidade e engajamento exigidos pela Sony.

Durante o último ano, a liderança da Bluepoint tentou apresentar diversos novos projetos, incluindo propostas para remakes de grande escala e até uma nova IP de ação e aventura. Infelizmente, no clima atual de contenção de custos e foco em blockbusters de baixo risco, nenhuma dessas propostas recebeu o sinal verde. O estúdio acabou ficando em um “limbo criativo”, atuando apenas como suporte técnico para outros títulos da Sony, como God of War Ragnarök, até que a decisão final de fechamento fosse tomada.
O legado técnico: De Shadow of the Colossus a Demon’s Souls
Para entender a tristeza da comunidade com o fim da Bluepoint Games, basta olhar para seu portfólio. O estúdio foi responsável por algumas das maiores conquistas técnicas da plataforma PlayStation:
- God of War Collection (2009): Provou que o PS3 era a casa perfeita para clássicos remasterizados do PS2.
- Uncharted: The Nathan Drake Collection (2015): Unificou a trilogia original com melhorias significativas de performance.
- Shadow of the Colossus (2018): Um remake do zero que preservou a alma do original de Fumito Ueda enquanto utilizava todo o poder do PS4 Pro.
- Demon’s Souls (2020): O título de lançamento do PS5 que serviu como a vitrine gráfica definitiva para a nova geração, mostrando o que o SSD e o Ray Tracing poderiam alcançar.
Por que a Sony fechou o estúdio agora?
A indústria de jogos em 2026 enfrenta desafios econômicos sem precedentes. O fechamento da Bluepoint Games faz parte de uma reestruturação mais ampla da Sony para otimizar seus recursos. Com o custo de desenvolvimento de jogos AAA ultrapassando a marca dos 300 milhões de dólares, a gigante japonesa parece estar consolidando suas operações em estúdios que possuem pipelines de produção já estabelecidos para grandes franquias ou que têm histórico comprovado em jogos de serviço lucrativos.
Analistas de mercado sugerem que a Sony preferiu investir o orçamento que seria destinado à Bluepoint em expansões para a Naughty Dog e a Santa Monica Studio. Além disso, a falha em converter a expertise técnica da Bluepoint em um modelo de receita recorrente (como o live-service cancelado) pesou na balança financeira. Para a Sony de 2026, ser apenas “excelente tecnicamente” não parece ser mais o suficiente para garantir a sobrevivência em um mercado cada vez mais volátil.
O futuro dos funcionários e da tecnologia Bluepoint
Embora o estúdio físico em Austin esteja fechando as portas, a Sony indicou que tentará realocar parte do pessoal em outros estúdios do grupo PlayStation Studios. No entanto, com o corte de 70 vagas, muitos desenvolvedores veteranos agora buscam novas oportunidades no mercado. A tecnologia proprietária de engine desenvolvida pela Bluepoint Games, que permitia a extração e reconstrução de ativos de jogos antigos de forma tão eficiente, deve ser integrada ao conjunto de ferramentas compartilhadas da Sony.

A grande questão que permanece é: quem assumirá o manto dos remakes de elite? Títulos altamente solicitados, como um potencial remake de Bloodborne ou Metal Gear Solid, agora perdem seu desenvolvedor mais óbvio e capaz. A indústria perde um de seus poucos estúdios que tratava o passado com o respeito de um restaurador de arte, transformando nostalgia em tecnologia de ponta.
Conclusão: Uma perda irreparável para o PlayStation
O fechamento da Bluepoint Games é um lembrete sombrio de que nem mesmo o prestígio crítico garante segurança no desenvolvimento de jogos moderno. A Sony removeu do seu tabuleiro uma peça que era sinônimo de qualidade e confiança para os consumidores. Enquanto nos despedimos de um dos estúdios mais talentosos da última década, resta torcer para que os talentos individuais que fizeram de Demon’s Souls e Shadow of the Colossus obras-primas modernas encontrem novos lares onde sua paixão pela perfeição técnica seja valorizada.
Fonte: metro.co.uk
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