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CRÍTICA: A História do Som  | Romance com Paul Mescal emociona ao transformar memória e música em amor

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A História do Som é um daqueles filmes que não gritam para serem grandiosos. Ele sussurra e é justamente nesse silêncio que encontra sua força.

Estrelado por Paul Mescal e Josh O’Connor, o longa constrói um romance sensível ambientado nos anos 1917–1924 e transforma a música no elo mais profundo entre dois homens que se encontram em um tempo que não permitia que eles existissem plenamente.

Sinopse de A História do Som

A História do Som acompanha dois jovens que se conhecem durante um período de transformações sociais e culturais. Unidos pela música e pelo desejo de registrar sons e memórias de um mundo em mudança, eles iniciam uma relação intensa e silenciosa, marcada tanto pela descoberta do amor quanto pelas limitações impostas por uma sociedade conservadora.

À medida que percorrem diferentes lugares coletando canções e histórias, a conexão entre eles se fortalece, mas a realidade da época impõe escolhas difíceis que podem alterar seus destinos para sempre.

A trilha sonora é o coração de A História do Som

Se há um elemento que sustenta emocionalmente o filme do início ao fim é a trilha sonora. Mais do que acompanhamento, a música é narrativa. Ela guia o espectador pelas camadas de intimidade, desejo e memória que definem a relação entre os protagonistas.

Cada canção parece carregar aquilo que os personagens não podem dizer em voz alta. Em um contexto histórico em que amar outro homem significava viver à margem ou no silêncio, o som se torna refúgio. É através da música que eles se reconhecem, se aproximam e se permitem sentir.

A trilha sonora é, sem dúvida, o ponto alto do filme.

Paul Mescal e Josh O’Connor entregam um romance verdadeiro

Paul Mescal já demonstrou em outros trabalhos que domina personagens emocionalmente contidos, mas aqui ele alcança um nível de vulnerabilidade que impressiona. Josh O’Connor equilibra essa energia com uma presença igualmente delicada e intensa.

O que torna o romance de A História do Som tão impactante é a sensação de verdade. Não há exagero melodramático. Há olhares demorados, silêncios carregados e pequenas escolhas que dizem tudo.

Muitos podem achar que falta intensidade no amor dos protagonistas, no entanto, de acordo com as circunstâncias é fácil entender o porquê dessa escolha de roteiro.

É fácil se identificar com esses personagens porque o filme fala sobre algo universal. O medo de perder. O desejo de ser visto. A necessidade de conexão.

Representatividade LGBT nos anos 1920 e ecos na atualidade

Ambientado nos anos 20, o filme expõe uma realidade dura para casais LGBT da época. Relações precisavam ser escondidas. Muitos homens se viam obrigados a casar com mulheres que não amavam para manter uma aparência socialmente aceitável.

A História do Som retrata essa vivência com respeito e humanidade. Não transforma a dor em espetáculo, mas também não a suaviza. Mostra o peso das escolhas impostas e o impacto emocional de viver um amor que precisa permanecer invisível.

E o mais inquietante é perceber como, apesar de se passar há um século, a história ainda ecoa na realidade de muitas pessoas hoje. Em diferentes contextos e culturas, ainda há quem precise esconder quem ama para sobreviver.

Essa camada torna o filme ainda mais potente.

Um filme sobre conexão e sobre como as pessoas nos transformam

No fundo, A História do Som não é apenas sobre um romance. É sobre conexão. Sobre como nossa vida muda quando alguém atravessa nosso caminho.

Existe algo profundamente bonito na ideia de que passamos a enxergar o mundo de forma diferente por causa de outra pessoa. Que uma música ganha novo significado porque foi ouvida ao lado de alguém. Que um som específico passa a carregar uma memória inteira.

O filme entende que amar é, também, transformar e ser transformado. Mesmo que a vida siga outro rumo. Mesmo que as circunstâncias afastem.

Vale a pena assistir A História do Som

Impulsionado por atuações marcantes de Paul Mescal e Josh O’ConnorA História do Som é um filme delicado, sensível e emocionalmente honesto.

Não é uma história de amor idealizada. É uma história de amor possível dentro de um contexto impossível.

Com uma trilha sonora impecável e uma narrativa que fala sobre memória, identidade e o impacto duradouro das pessoas que cruzam nosso caminho, o longa se destaca como um dos romances mais sensíveis da temporada de premiações.

É um filme que fica. Como uma canção que continua tocando na cabeça muito depois que o som termina.

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Escrito por
Vitória Souza

Sou apaixonada por filmes, séries e teatro musical, onde a arte encontra a emoção na medida certa. No Galáxia Nerd, compartilho análises, curiosidades e noticias sobre esses universos, para quem, como eu, valoriza cultura pop com conteúdo de verdade.

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