Resident Evil: Requiem Escândalo Metacritic
O lançamento de Resident Evil: Requiem deveria ser um momento de celebração para os fãs de survival horror, mas um incidente bizarro nos bastidores da crítica especializada roubou os holofotes. Recentemente, o agregador Metacritic removeu uma análise do jogo após a descoberta de que o texto era totalmente gerado por inteligência artificial, assinado por um autor fictício. O caso não é apenas uma curiosidade digital; ele marca um ponto de inflexão preocupante sobre a integridade da informação e a substituição de jornalistas humanos por automações de baixa qualidade no setor de tecnologia.
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O Surgimento da Crítica Fantasma de Resident Evil: Requiem
A polêmica começou quando o site britânico Videogamer publicou uma nota 9/10 para Resident Evil: Requiem. À primeira vista, parecia apenas mais uma opinião entusiasta sobre o novo título da Capcom. No entanto, leitores atentos e outros jornalistas rapidamente notaram padrões estranhos no texto. A análise era composta por clichês genéricos e frases de efeito vazias, como descrever o game como um “testemunho ensanguentado de por que amamos ficar morrendo de medo”, sem entrar em detalhes técnicos ou mecânicas específicas que apenas alguém que realmente jogou poderia descrever.

O que chamou mais atenção, porém, foi a autoria. O texto era creditado a Brian Merrygold, descrito como um “analista experiente de iGaming e apostas esportivas com um profundo apreço pela inovação no entretenimento de jogos de azar”. A combinação de um especialista em cassinos analisando um blockbuster de terror já era suspeita, mas a prova definitiva veio da imagem de perfil do autor: um arquivo nomeado com o padrão de exportação do ChatGPT, revelando uma face gerada por algoritmo.
Brian Merrygold: O Analista que Nunca Existiu
A investigação conduzida por veículos como a PC Gamer e Kotaku revelou que Brian Merrygold não possui qualquer rastro digital real. Ele é um personagem criado para preencher o vazio deixado pela recente demissão em massa da equipe editorial humana do Videogamer. O site, que já foi uma referência respeitada no Reino Unido, foi adquirido pela Clickout Media, uma agência focada em SEO para o mercado de apostas e cassinos.
Este incidente ilustra a ascensão do conteúdo conhecido como “AI slop” (lixo de IA), onde sites de nicho sacrificam a qualidade e a veracidade para inundar os motores de busca com palavras-chave, visando apenas o tráfego orgânico. Em Resident Evil: Requiem, a IA falhou ao tentar emular a paixão de um fã de Resident Evil, resultando em um texto que soava mais como um folheto publicitário do que como jornalismo crítico.
Identificando o Conteúdo Gerado por IA
Existem sinais claros que ajudaram a comunidade a derrubar a farsa. Além da foto de perfil gerada por IA, o vocabulário utilizado na análise de Resident Evil: Requiem era repetitivo e desprovido de contexto histórico real sobre a franquia. A IA utilizava metáforas gastas, comparando o jogo a um “Tyrant atravessando uma parede de tijolos”, uma analogia que, embora temática, é o tipo de generalização que modelos de linguagem costumam produzir quando não têm acesso a experiências sensoriais reais.
A Queda do Videogamer e a Ascensão do Conteúdo Slop
O caso do Videogamer é sintomático de uma crise maior no jornalismo de games. A transição da gestão editorial para agências de SEO focadas em nichos de alta rentabilidade, como apostas, tem levado ao desmantelamento de redações inteiras. Quando o fator humano é removido, a responsabilidade com o leitor desaparece. No caso de Resident Evil: Requiem, o objetivo não era informar o consumidor se o jogo valia o investimento, mas sim garantir que o site aparecesse no topo das buscas para capitalizar sobre o hype do lançamento.

A Clickout Media, ao assumir o controle do site, teria substituído as assinaturas de jornalistas reais por perfis de IA. O impacto disso vai além de uma análise mal escrita; afeta a confiança de toda a cadeia de comunicação entre desenvolvedores, críticos e jogadores.
O Posicionamento do Metacritic e o Futuro dos Agregadores
O Metacritic agiu rapidamente para remover a análise de Resident Evil: Requiem e emitiu um comunicado contundente. O agregador afirmou que possui uma política de tolerância zero para conteúdo gerado por IA e que, se descoberto, o veículo responsável será banido permanentemente da plataforma. Marc Doyle, cofundador do site, reforçou que o Metacritic mantém um processo de verificação rigoroso, mas admitiu que a evolução das ferramentas de IA representa um desafio constante para a curadoria humana.
Este evento forçou outros agregadores, como o OpenCritic, a reavaliarem seus filtros de entrada. Se análises falsas começarem a influenciar a média global (Metascore), o valor comercial de um jogo e até mesmo bônus contratuais de desenvolvedores — que muitas vezes são atrelados a essas notas — podem ser comprometidos por algoritmos sem consciência.
Por que Isso é um Perigo para a Indústria de Games?
A presença de uma análise falsa de Resident Evil: Requiem no topo do Metacritic é o pesadelo de qualquer desenvolvedor. Imagine uma equipe que dedicou anos de trabalho ao desenvolvimento de um jogo, apenas para ver sua recepção crítica ser manchada ou inflada artificialmente por robôs que sequer seguraram um controle.

A longo prazo, isso pode levar à “Teoria da Internet Morta”, onde a maior parte do conteúdo disponível online é gerada e consumida por bots, deixando o público humano sem fontes confiáveis. Para a franquia Resident Evil, que possui uma história rica e uma comunidade apaixonada, a crítica humana é essencial para contextualizar como Resident Evil: Requiem se encaixa na narrativa de Leon Kennedy ou Chris Redfield, algo que uma IA de apostas esportivas jamais conseguirá replicar com alma.
Em suma, o escândalo da análise de Resident Evil: Requiem serve como um alerta para que leitores busquem veículos que valorizem seus jornalistas e para que plataformas de tecnologia reforcem seus mecanismos de defesa contra a automação predatória.
Fonte: pcgamer.com
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