Batman Day
O que é o Batman Day?
O Batman Day surgiu como uma iniciativa da DC Comics para celebrar o 75º aniversário do Batman em 2014. Com a intenção de homenagear a enorme popularidade e o impacto cultural duradouro do personagem e sendo uma oportunidade de envolver os fãs antigos e novos, do mundo inteiro, promovendo a merchandising do Cavaleiro das Trevas, o evento se tornou anual.

A primeira data foi escolhida para coincidir com a Comic Con San Diego, em 24 de Julho de 2014. Dizem os entendidos da internet que talvez, dá-se pelo fato de não haver grandes lançamentos cinematográficos, e início do ano letivo americano, ou seja, todos os olhos se voltam para o Morcegão, apenas uma especulação, já que editora nunca explicitou seus motivos para a escolha do mês de setembro para comemorar a data,
A Importância dessa data mobilizou ações no Brasil, como o Bat-Sinal ser aceso no Farol Santander em SP, em 2020, ou por exemplo, a vereadora Maryanne Mattos (PL-SC), que protocolou um projeto de lei oficializando a data, com a justificativa de que o Cruzador Encapuzado seja um exemplo pra segurança pública, ainda que sem poderes, se valendo apenas de conhecimento e apetrechos tecnológicos.

Bat-sinal instalado no Farol Santander em São Paulo, em 2020. – Instagram @farolsantandersp
Por que o Batman merece toda essa atenção?
O primeiro lançamento do Batman ocorreu em “Detective Comics” #27, publicado pela DC Comics em maio de 1939. A história, intitulada “The Case of the Chemical Syndicate,” foi escrita por Bill Finger e apresentou a primeira aparição do personagem Batman, criado juntamente com Bob Kane.

Primeira aparição do Batman detective Comics #27. Primeiro Título com seu nome em 1940
A ideia para o Homem-Morcego foi uma colaboração dos dois artistas. Bob Kane é geralmente creditado como o criador inicial do personagem, mas Bill Finger desempenhou um papel significativo na criação do conceito do Batman, incluindo o design do traje, a escolha do nome “Bruce Wayne” para o alter ego do herói, (traduzido para o Brasil, inicialmente, como Bruno Miller) a criação do Batmóvel e a elaboração de sua origem e personalidade.
A criação do Batman foi influenciada por várias fontes da cultura popular da época, e embora haja especulações sobre possíveis inspirações, não há uma única fonte definitiva que tenha dado origem ao personagem. Algumas das influências da época que podem ter contribuído para a criação do Batman incluem personagens pulp da época, como “The Shadow”, “Zorro” e “O Fantasma”, que também eram vigilantes mascarados, além de influências artísticas da cultura gótica. Vale lembrar que Batman possui crossover apenas com o The Shadow.

Possíveis referências para a criação do Batman, da esquerda pra direita The Shadow (1931), The Phantom (1936) e Zorro (1919)
A combinação das mentes de Kane e Finger resultou na criação de um personagem único que rapidamente se tornou um dos super-heróis mais populares e icônicos de todos os tempos, nascido pra ser um herói contraste ao alegre Superman, que tanto fazia sucesso na Action Comics. A partir da edição 27, o Batman tomou protagonismo nas histórias da Detective Comics, já que de 1 a 26, as histórias focavam em detetives particulares e agentes do FBI, como Speed Saunders, Slam Bradley e a primeira versão do Vingador Escarlate.

Cyril “Speed” Saunders e Samuel “Slam” Bradley, principais protagonistas da Detective Comics antes da Chegada do Batman.
Muito do que nós conhecemos do Batman e de todos os heróis da DC, se divide em toda a cronologia de lançamentos da editora. Num bom resumo, temos a Era de Ouro, que inicia com a criação desses personagens na década de 30, com diversas Terras paralelas, como Terra 1, Terra 2, Terra S ou Terra X. Isso se deu, até mais ou menos a década de 50, quando os quadrinhos começaram a abordar temas mais sérios, como, por exemplo, um marco pra essa divisão, o ajudante do Arqueiro Verde, Ricardito (Speedy) tendo problemas com drogas.
Os quadrinhos se tornavam mais sérios enquanto na TV a perpetuação da Era de Ouro com a estreia de Batman, em 1966, sob a performance de Adam West. Inicia-se, assim, a Era de Prata, que segue acrescentando mais elementos ao Batman até os anos 80, onde a editora sofreu a famosa Crise das Infinitas Terras, a saga que nos apresentou a New Earth, lar da maioria das adaptações de filmes nos anos 90. O Pós-crise, iniciado em 1986, seguiu até 2011, trazendo mais um reboot: A Convergência que deu inicio aos Novos 52, para em 2016, termos um confuso soft reboot, chamado Renascimento, logo após a saga Ponto de Ignição. Neste artigo será explanada uma breve amálgama do histórico do Batman, que mantenha a essência e cronologia.

Da esquerda pra Direita, Dennis O’Neil, Frank Miller, Grant Morrison, Scott Snyder, na fileira de baixo, Jeph Loeb, Chuck Dixon, Alan Grant e Allan Moore.
Diversos autores escreveram as histórias do Batman, trazendo suas impressões sobre o herói dede a sua criação por Kane e Finger. Muitos artistas conceituados como Frank Miller também conhecido por escrever Demolidor, foi autor de “Batman: O Cavaleiro das Trevas” e “Batman: Ano Um”, duas obras que revolucionaram a forma como o herói foi retratado nos quadrinhos, trazendo um tom mais sombrio e realista. Dennis O’Neil, notável revigorar o Homem-Morcego, reintroduzindo elementos góticos e introduzindo personagens como Ra’s al Ghul e o vilão Duas-Caras, e em colaboração com um dos artistas mais influentes do Batman. Neal Adams conhecido por seu estilo realista e dinâmico, que trouxe um novo visual para o personagem e contribuiu para várias histórias memoráveis.
O mestre Alan Moore, de Watchmen, escreveu “A Piada Mortal”, uma das histórias mais famosas e impactantes do Batman, que explorou a relação entre o Batman e o Coringa de maneira intensa. Jeph Loeb e Tim Sale A equipe criativa por trás de “O Longo Dia das Bruxas” e “Vitória Sombria”, duas histórias aclamadas que exploraram a jornada do Batman em Gotham e sua relação com seus vilões, além de explicar o inicio da jornada do Robin. Com Jim Lee, atual diretor da DC, Loeb nos trouxe Hush, que rapidamente se tornou um vilão icônico. O britânico Alan Grant que trouxe o vilão Anarkia, “Crise de identidade” e o “Último Arkham”. O grande Chuck Dixon, celebrado por seu trabalho na série “Asa Noturna” e em várias histórias do Batman durante a década de 1990 e 2000, contribuindo para a expansão do universo do Batman. Não podemos esquecer da contribuição massiva de Grant Morrison que escreveu “Batman R.I.P.”, “Batman e Filho” e Batman INC, introduzindo conceitos complexos e metafísicos à mitologia do personagem.
Scott Snyder foi autor que introduziu a misteriosa Corte das Corujas e trouxe uma nova dimensão para a história de Gotham City. E por fim, Tom King explorando o lado emocional do personagem e sua relação com outros heróis e vilões, nos deixando apreensivo com o quase casamento de Bruce e Selina.
Um pouco sobre Bruce Wayne
Nascido em uma das famílias mais ricas de Gotham, Bruce Wayne era filho único da socialite Martha Kane e Thomas Wayne, filantropo, médico e magnata dos negócios, fundador da Wayne Enterprises. Ainda criança, Bruce testemunhou a morte de seus pais no Beco do crime, durante o latrocínio de Joe Chill. Inicialmente criado por seu tio Philip Wayne que não lhe dava muita atenção, Bruce preferiu a tutela de Alfred Pennyworth, quando juntamente com seu amigo de infância Thomas Elliot, que usou seus conhecimentos para matar o próprio pai, o que afastou os dois, futuramente Elliot voltaria como o vilão Hush.

Bruce rodeado de moças interessadas e com Alfred
Bruce iniciou, sozinho, uma maratona para adquirir conhecimentos pra melhorar suas habilidades tanto mentais quanto físicas, estudou diversas áreas como: química, criminologia, ventríloqua, artes marciais, pilotar carro em fuga, ginástica, além de passar meses de treinamento no Tibet e pelo mundo, encontra mestres como Ted Grant, o Wildcat, um herói das antigas, Lady Shiva, uma vilã e Henry Ducard, um mercenário que futuramente se torna um vilão do Batman. Se formou em Direito e tentou ingressar no FBI para usar suas habilidades e ajudar as pessoas , mas assim foi admitido, percebeu que não era o caminho que ele realmente queria seguir.
O playboy costuma fazer cena para desvencilhar sua persona Bruce Wayne do Batman, e por mais que tente fingir que seu coração é de pedra, ele já teve diversos casos amorosos, alguns até muito significativos, como Julie Madison, Andrea Beaumont, em A Máscara do Fantasma, Silver St Cloud, que de acordo com Alfred, ela e Selina Kyle foram as mulheres que ele verdadeiramente amou, Zatanna e Diana Prince, a Mulher Maravilha!
Ainda que o bilionário vigilante tenha feito tanto sucesso, era um Sherlock Holmes sem um Watson, o que fazia suas histórias serem recheadas de balões de pensamento, já que Bruce não tinha com quem conversar durante suas infiltrações no covil inimigo. Com isso, pra atrair ainda mais a atenção infanto-juvenil, na Detective Comics #38 tivemos a estreia do Robin, o Garoto Prodígio, em 1940, viríamos a conhecer Richard Grayson.
O Surgimento do Robin
Filho de acrobatas circenses de uma trupe chamada: Os Graysons Voadores, Dick teve os pais mortos a mando de Tony Zucco, um mafioso que os chantageava e usava as habilidades dos Grayson para o mal. Sob investigação do Batman, Zucco é levado à prisão depois de assassinar os pais do garoto, ao vê-lo sozinho, Bruce se lembra de si próprio sozinho no beco e o adota. Curioso, Dick descobre que o herdeiro dos Wayne é na verdade, o Batman, empolgado, inicia com seu tutor, o mesmo treinamento de aptidões físicas e mentais para auxiliá-lo no combate ao crime.

Primeira aparição do Robin na Detective Comics #38, e liderando os Titãs em Brave and Bold #54.
Dick se tornou um personagem tão popular que inspirou a criação de outros ajudantes de heróis, como AquaLad, Kid Flash, Speedy e Moça Maravilha. Sua fama era tanta, que até mesmo editoras concorrentes começaram a criar seus próprios ajudantes, como Bucky Barnes da Marvel, ajudante do Capitão América. Ainda que a Marvel tenha adquirido a idéia, a DC precisou dar uma resposta aos X-men que iniciavam uma jornada de sucesso, assim, em 1964, quatro anos depois da Liga da Justiça, em the Brave and Bold #54 estreavam os Jovens Titãs com Aqualad, Kid Flash e Robin como líder, apesar de ser o único sem poderes.
Batman e Robin eram a “dupla dinâmica” de maior sucesso, faziam crossovers com outros heróis em The Brave and the Bold, encontravam constantemente o Superman em The World Finest Comics, com Robin tendo várias aventuras solos em Star Spangled Comics. Nessa época, se iniciaram muitos rumores difamatórios sobre um relacionamento amoroso entre os personagens, o que na época foi considerado “perturbador e inapropriado para crianças”, mesmo nessa época, Bruce tendo alguns interesses amorosos como Julie Madison, que inclusive chegou a utilizar o uniforme do Robin em 1941, na edição 49.
Aliados
Sob essas condições, fez-se necessário a criação de Kathy Kane, a primeira Batwoman, o que permitiu que as histórias explorassem dinâmicas diferentes entre os personagens. Ela não era apenas uma aliada do Batman, mas também um interesse romântico em algumas versões das histórias. Logo em seguida, a primeira Bat-girl, sua sobrinha, Betty Kane, que seria uma parceira para o Robin. Ambas seriam descontinuadas após a Crise das Infinitas Terras, ainda que vez por outra seja possível ver versões paralelas no Pós Crise e Renascimento, mas sempre longe do manto de vigilante.
Alfred Pennyworth, sem dúvidas a pessoa mais importante como alicerce moral de Bruce Wayne, sem ele, com certeza o Batman já teria perdido sua balança ética e tomado caminhos que não conseguiria voltar. Alfred, além de tutor legal do jovem Bruce, foi também sua figura paterna. Um ex-militar do exército da rainha britânica, se tornou mordomo após se aposentar e pôde estar presente desde o nascimento de seu patrão Bruce. O treinou no início de sua jornada e logo, permitiu o jovenzinho voar pelo mundo atrás de mais conhecimento. Muitas vezes corre perigo quando os inimigos querem ameaçar Bruce, já foi morto em algumas histórias, o que abalou muito o Batman,
Além desses personagens notáveis para o legado do Batman, é possível elencar outros aliados que também fizeram história, como: James Gordon, o Comissário de Polícia, Lucius Fox, CEO da Wayne Tech, uns poucos policiais honestos de Gotham como Renné Montoya e Harvey Bulock. Bruce teve também uma Robin, num universo paralelo, na saga Dark Knight, de Frank Miller. Carrie Kelley, uma garota ruiva trouxe jovialidade e esperança para um Batman já maduro, taciturno e aposentado. Outro aliado importante é A Liga da Justiça da América, sua primeira aparição em “The Brave and the Bold” #28, que foi publicada em março de 1960, combatendo o Starro, vilão que foi utilizado no filme O Esquadrão Suicida, dirigido por James Gunn.
Inimigos
Outra coisa muito chamativa nas histórias do Batman são seus vilões, uma icônica galeria que se destaca na cultura Pop.

Alguns dos principais vilões do Batman. Da esquerda superior para a direita inferior – Duas Caras, Ras Al Ghul, Bane, Pistoleiro, Sr Frio, Charada, Talia, Mulher-Gato, Arlequina, Coringa e Pinguim
Coringa (1940): O arqui-inimigo do Batman, conhecido por seu sorriso sádico, risada maníaca e insanidade imprevisível. Um dos mais antigos vilões e seu maior contraponto. A perversidade do Coringa oriunda de insanidade e natureza imprevisível o que tornam um dos vilões mais perigosos de Gotham City. Inicialmente usava a alcunha de Capuz Vermelho, quando num acidente caiu num tanque acido. Foi Protagonista das maiores atrocidades como Piada Mortal, Morte em Família, a A Morte do Batman, Silêncio. Além de sua companhia originar uma personagem, na animação de 1992, rapidamente muito aclamada pelos fãs: A Arlequina.
Hugo Strange (1940): Um brilhante psiquiatra e cientista obcecado pelo Batman, um dos primeiros vilões a descobrir sua identidade secreta. Hugo costuma brincar com o psicológico de Bruce.
Mulher-Gato (1940): Uma ladra habilidosa, conhecida por seu traje de gato e sua atração ambígua pelo Batman. Muitas vezes tomada como uma anti-heroina, Selina Kyle iniciou sua carreira nas HQS como uma vilã de fato, mas devido sua popularidade e moral balanceada, passou pro lado dos mocinhos. Ainda na Era de Prata casou com Bruce dando vida à Helena Wayne e Bruce Wayne Jr. Após a Convergência, teve seu casamento impedido por questões morais entre ela e o Morcegão.
Pinguim (1941): Um gângster elegante e sofisticado que sempre veste um smoking e carrega uma bengala em forma de guarda-chuva. Oswald Cobblepot além de mafioso, chegou a concorrer e vencer as eleições pra prefeito de Gotham.
Espantalho (1941): Dr Jonathan Crane é um psiquiatra que usa toxinas do medo e roupas de espantalho para aterrorizar suas vítimas, explorando seus piores medos.
Duas-Caras (1942): O ex-promotor Harvey Dent, o antigo Cavaleiro Branco de Gotham era aliado de Batman, mas depois de um ataque, teve seu rosto desfigurado. Sua dualidade moral, representada pelo lado bom e ruim da moeda, torna-o um vilão complexo e imprevisível no universo do Batman.
Charada (1948): Edward Nygma é um vilão obcecado por enigmas e charadas. Ele deixa pistas enigmáticas para desafiar o Batman e a polícia, revelando-se como um adversário intelectualmente desafiador. Ele descobriu a identidade de Bruce Wayne, mas não a revela, já que, em sua opinião, uma charada em que todos sabem a resposta, não tem graça alguma.
Senhor Frio (1959): Mr. Freeze, o Dr. Victor Fries é um vilão motivado por uma tragédia pessoal. Ele usa uma arma de congelamento para cometer crimes em busca de uma cura para sua esposa congelada, tornando-o um vilão com profundidade emocional.
Ra’s al Ghul (1971): Ra’s al Ghul é um ecoterrorista imortal e mestre das artes marciais. Ele acredita que a humanidade precisa ser purgada para salvar o planeta, tornando-o um dos vilões mais intelectualmente desafiadores do Batman. É líder da Liga dos Assassinos das Sombras e queria que Bruce herdasse o cargo, mas como não aceitou, passou o cargo para Damian.
Talia al Ghul (1971): Talia al Ghul é a filha de Ra’s al Ghul e uma aliada ocasional do Batman. Ela é uma personagem complexa, muitas vezes dividida entre seu amor por Batman e sua lealdade à visão extremista de seu pai para salvar o mundo. Ela embebeda Bruce e o deixa com pouco controle de seu corpo, numa noite de prazer que dá vida ao seu futuro herdeiro: Damian Wayne.
Lady Shiva (1975): Mestra das artes marciais e assassina letal, muitas vezes desafiando Batman em combate corpo a corpo. Treinou a maioria dos Robins e o próprio Batman. Mãe da Batgirl/Orphan, Cassandra Cain.
Máscara Negra (1985): Um líder criminoso que usa uma máscara de madeira preta e é conhecido por sua brutalidade e controle sobre gangues. Mais frequentemente aterrorizando Bludhaven, apareceu no filme Arlequina e as Aves de Rapina.
Bane (1993): Bane é um vilão notório por sua força sobre-humana, que ele obtém através do uso de um composto chamado Venom. Ele é um estrategista astuto e é lembrado por quebrar a coluna do Batman em uma história famosa chamada “Knightfall,” demonstrando ser um dos adversários mais formidáveis do Cavaleiro das Trevas.
Praticamente cada vilão merece um artigo próprio, além de muitos outros vilões ainda podem ser lembrados, como: A Corte das Corujas, Killer Croc, Solomon Grundy, Cara de Barro, Arlequina, Homem Calendário, Tubarão Rei, Homem Pipa, Rei dos Condimentos, Victor Zsasz, KGBesta, Chapeleiro, Mestre dos Brinquedos entre outros…
Os Robins e um pouco sobre a Bat-Família

Imagens clássicas de união dos Robins
Em seus primeiros anos de fama, a dupla dinâmica passou por muitas alterações, algumas inclusive que se mantem vivas até hoje. Bruce se envolvia em muitas investigações e o trabalho com a Liga da Justiça e Dick, liderando os Titãs, que a cada edição trazia mais ajudantes, ainda em 1963, os fãs não queriam mais ver o Robin quase adulto com as pernas de fora. Assumindo, então, a sua melhor versão, o Asa Noturna, que apesar do nome sugerir que tem algo a ver com o Batman, tem na verdade, bastante influência do Superman, que um dia lhe contou sobre os heróis de Kripton. Dick Grayson, se muda pra Bludhaven, cidade vizinha de Gotham, pra onde muitos dos vilões do Batman fugiam após uma derrota.
Talvez com a intenção de afastar a antiga polêmica, Dick é retratado como um namorador incorrigível, tendo casos com a maioria das integrantes da Bat-familía e também dos Titans, como Estelar, Donna Troy, Oráculo, Caçadora, Supergirl, Zatanna, Bumblebee e até mesmo algumas vilãs. Sua importância é tanta, um personagem tão amado, que em 2006, durante a Crise Infinita, Dan DiDio quis matá-lo definitivamente para que funcionasse como um drive para unir todo o universo DC num objetivo único.

Asa Noturna – O melhor heróis de todos os tempos
Agora, sem um Robin, Batman segue sozinho em vigilância, quando conhece Jason Todd (1983), um jovem meliante, tentando roubar as rodas do Batmóvel. Comovido, Bruce leva o garoto pra comer e após uma longa conversa o adota e com um treinamento intenso, Jason se torna o segundo Robin. O personagem teve duas versões, uma em que era apenas uma cópia ruiva e sem muita criatividade de Dick, e a outra, era uma versão mais atrevida, um jovem problemático e muito agressivo, muito mais parecido com o esquecido Lance Bruner, uma segundo Robin que não vingou e sua existência se perdeu na Crise.
Jason ajudava o Batman em sua luta contra o crime, mas tinha sua própria agenda: encontrar sua mãe biológica. Se valendo deste detalhe e conhecendo a cabeça quente do novo Robin, o Coringa, usa disso pra atraí-lo para uma armadilha. Todo esse arco se passa na saga Morte em Família, que leva o jovem à óbito. Anos depois, seria ressuscitado por Ras Al-Ghul, sob a alcunha de Capuz Vermelho, ele retorna para assombrar o Batman, mas depois de anos de recuperação ele se torna líder dos Renegados.

Jason Todd como Capuz Vermelho
O cargo de Robin nunca fica vazio, em pouco tempo, Bruce quebra o luto de Jason ao conhecer Tim Drake (1989), um garoto que, sozinho, deduziu as identidades de Bruce e Dick através de suas habilidades instintivas de detetive e passou a acompanhar suas carreiras com uma gradual proximidade. Tim também investigou o assassinato do segundo Robin e percebendo que Bruce entrara em uma espiral auto-destrutiva e suicida, decidiu pedir a Dick que se tornasse o novo Robin. Inicialmente, Bruce estava irredutível a permitir um novo Robin, mas Tim, acaba salvando a dupla do Duas-Caras, provando seu valor.
Dick e Tim têm a melhor dinâmica entre os Robins, por vezes agem como Irmão Mais Velho e Irmão Mais Novo, se ajudam mutuamente e Dick acredita que Tim pode se tornar líder dos Titãs, coisa que o jovem Drake demora pra aceitar. Tim foi o mais maduro de todos os Robins, tido pelo próprio Bruce como o Robin de maior potencial. Fez sucesso com o público estrelando histórias solo e sendo o primeiro Robin a ter sua própria revista mensal 1991. Ao contrário de Dick e Jason, Tim nasceu em família milionária, sendo vizinho de Bruce. A princípio tinha ambos os pais vivos, mas passou a maior parte de sua carreira apenas com o pai vivo e órfão de sua mãe. Após seu pai ser assassinado pelo Capitão Bumerangue também acabou adotado por Bruce.

Tim e Steph, Robins que receberam novos nomes, Robin Vermelho e Salteadora.
A namorada de Tim, Stephanie Brown (1992) por um breve momento, se tornou uma Robin, foi treinada pelo Batman, mas ao desobedecer a uma ordem direta, foi destituída do cargo, criando pra si, o manto de Salteadora. Steph é filha do vilão Mestre das Pistas, e com Tim, teve um momento muito turbulento, já que ambos tentavam trabalhar juntos, mesmo um não confiando totalmente no outro. Com essa proximidade os dois se entregaram a um relacionamento. Steph se afastou do cargo após descobrir uma gravidez de seu ex-namorado. Depois de retornar, por um tempo, usou o manto de Batgirl cedido por Cassandra Cain.

O neto de Ras costuma não honrar o traje de Robin, mas sua evolução é imensa
Enfim, chegamos ao ultimo Robin oficial e canônico, também chamado de O filho do demônio, sendo apenas citado na década de 80, para que finalmente viesse a ter uma significativa participação nas HQs em 2006. Damian Wayne é filho de Bruce e Talia, após uma noite em que ela o embebeda e consome seu amor dando a luz ao neto de Ras, que o treina até os 8 anos para ser o novo líder da Liga dos Assassinos das Sombras. Damian apenas tinha ouvido falar de seu pai, e quando Talia precisa resolver questões pessoais, apresenta pai e filho, o que gera muito problema na Bat-Família. Durante a saga da Batalha pelo Manto, em que Bruce desaparece, Dick assume o posto de Batman, Damian como Robin, destituindo Tim do cargo que ele tanto gostava. Tim se torna o Red Robin e convivendo com Bruce e Dick, Damian aprende que nem sempre seu avô estava correto na forma brutal e legalista de ver a vida.
Existem alguns Robins não-oficiais, ou não-canônicos, ou por vezes apenas usaram o uniforme uma vez, como Julie Madison, uma antiga namorada de Bruce, ou Lance Bruner, o proto Jason Todd. Lance, assim como Dick também foi adotado por Bruce, mas era rebelde e quase causou a morte do Garoto Prodígio, mas se arrependeu, utilizou o uniforme e morreu em combate, um arco muito breve, poderia ao menos dar nome ao protagonista de Gotham Knights, Turner Hayes, um filho adotivo inventado pra série, tenta ser uma mescla dos Robins e falha drasticamente. Carrie Kelley é com certeza quem mais intriga os fãs, fazendo parte apenas da saga Cavaleiro das Trevas e sofreu uma tentativa de ser inserida no Renascimento, por mim, ela deveria se tornar Robin de Dick Grayson, e receber a Alcunha de Flamebird.
Outros Robins não tao conhecidos são Drake Winston, que deveria ser o Robin do filme do Tim Burton, um mecânico de carros de Gotham e visual inspirado noator Marlon Wayans, que possivelmente viria a ser inspiração para a criação de Duke Thomas, protagonista da série WE ARE ROBINS, após uma curta fase de Robin, recebeu a alcunha de Signal. Por último, temos Matt McGuiness, irmão de Terry, o Batman do futuro. No Renascimento, criaram uma proto-robin chamada Anita Jean, uma vilã para os 5 robins, levemente interessante, mas não se sabe ainda pra onde essa história vai.

Anita Jean, vilã de The Robins e Turner Hayes de Gotham Nights e em detalhe Lance Bruner pra comparação
Nem só de Robins, é composta a Bat-Família. Em 1967, durante a Era de Prata, A Batgirl foi introduzida para diversificar o elenco de personagens femininos na série e atrair mais leitoras. Nossa amada ruiva, Barbara Gordon se tornou um ícone feminino nos quadrinhos, após sua estreia na Detective Comics #359. Ela é filha do Comissário James Gordon e se tornou uma aliada valiosa do Batman e um membro importante da Bat-Família.
Após um trágico incidente causado pelo Coringa no arco, Piada Mortal, Barbara ficou paraplégica e após recuperação sua assumiu a identidade de Oráculo e se tornou uma especialista em tecnologia e informação que apoia a Bat-Família, além de se tornar líder das Aves de Rapina, uma equipe formada apenas por heroínas. Apesar de algumas histórias a colocarem como um interesse amoroso de Bruce, é senso comum de que ela funciona melhor como par pra Dick Grayson, num namoro cheio de idas e vindas complicadas.
Filha de David Cain, um assassino de elite, e sua mãe, Lady Shiva, uma das maiores mestres de artes marciais do mundo, Cassandra Cain foi criada em um ambiente de treinamento rigoroso, ensinando a ler os movimentos do corpo humano como uma linguagem, em vez de palavras. Fez sua estreia como Batgirl na série de quadrinhos “Batman” em 1999. Ela foi a primeira Batgirl a ser introduzida desde Barbara Gordon. Cassandra é conhecida por sua personalidade silenciosa e introvertida. Ela prefere ação é comum lutar contra o crime sem dizer uma palavra. Em histórias mais recentes, Cassandra adotou o codinome “Orphan” e continua como parte da Bat-Família. Ela é uma das combatentes mais habilidosas do grupo, aliás, é conhecida por ser a primeira a derrotar Bruce num combate corpo-a-corpo.

A ruiva mais amada de toda a Bat-Família , Barbara Gordon, como Oráculo e Batgirl
Outra personagem importante, hoje em dia mal-tratada nas HQS, é Helena Bertinelli, também conhecida como Caçadora (Huntress). Ela foi criada em 1989 como parte do evento crossover “Crise nas Infinitas Terras”, a primeira Helena era filha de Selina e Bruce, mas não seguiu em frente. Helena Bertinelli é herdeira de uma família ítalo-americana rica e influente em Gotham City, sua vida mudou drasticamente quando todos seus parentes foram assassinados por uma gangue mafiosa quando ela era criança. Esse evento traumático a levou a buscar vingança contra o crime organizado. Helena dedicou sua vida a se tornar uma combatente altamente treinada, mestre em artes marciais e especialista em armas de fogo. Sua motivação principal era combater a máfia que havia destruído sua família. Cruzando caminho com a Dupla Dinâmica, ela se juntou a eles em várias missões e lutou ao lado deles contra o crime em Gotham City, no entanto, sua personalidade complexa, atrapalha a convivência, ela é movida por um desejo profundo de justiça, por isso, muitas vezes recorre a métodos violentos para alcançar seus objetivos.
Isso a coloca em conflito com outros heróis, que preferem abordagens menos letais. Apesar de se envolver romanticamente com o primeiro Robin, Bertinelli teve desentendimentos com membros da Bat-Família o que a afastou temporariamente do grupo. No entanto, se juntou às Aves de Rapina, uma equipe de super-heroínas que inclui personagens como Barbara Gordon (a Oráculo) e Canário Negro.

Alguns dos uniformes de Helena Bertinelli como a Caçadora.
Kate Kane, prima de Bruce, é uma das primeiras personagens LGBTQ+ a fazer parte da Bat-Família na DC Comics. Sua reintrodução nos quadrinhos em 2006 trouxe um elemento importante de diversidade e representação para o universo do Batman. Embora não seja a primeira personagem LGBTQ+ na DC Comics em geral, a inclusão de Kate Kane como Batwoman foi um marco significativo para a representação de personagens LGBTQ+ nas histórias do Batman e na Bat-Família. Desde então, a personagem tem sido um importante ícone LGBTQ+ nos quadrinhos e na cultura pop.

Batwoman – versão atual e versão original
Por fim, o personagem Batwing foi criado em 2011 e estreou na série “Batman Incorporated” #5. Ele foi introduzido como parte da expansão do “Batman Incorporated,” uma organização global liderada por Bruce Wayne (Batman) que recrutava e treinava heróis inspirados no Batman em diferentes partes do mundo.Batwing foi um manto, inicialmente utilizado por David Zavimbe, um ex-policial da República Democrática do Congo. Ele se tornou um vigilante em seu país e foi recrutado por Batman para se tornar o defensor de sua nação natal como Batwing. David usou um traje tecnologicamente avançado, projetado por Lucius Fox, para combater o crime. Em edições posteriores, o personagem Luke Fox, filho de Lucius, assumiu o manto de Batwing.
Ele é um dos membros mais recentes da “Bat-Família” e trouxe sua própria abordagem e estilo para o papel. A inclusão de personagens como Luke Fox como Batwing e Duke Thomas é parte dos esforços da DC Comics para promover a diversidade e a representação no mundo dos super-heróis, oferecendo perspectivas diferentes e contextos culturais para os personagens.

Duke Thomas, como Signal. Luke Fox, como Batwing e Bial Asselah como Nightrunner
Outros aliados como o NightRunner, um traceur (atleta de parkour) também pode ser encontrado na “Batman Incorporated” ou “Batman Inc.” é uma série de quadrinhos lançada em 2010 como parte dos Novos 52, uma iniciativa que envolveu o relançamento de muitos títulos da DC Comics. É importante notar que “Batman Incorporated” era uma série que explorava conceitos amplos e inovadores dentro do universo do Batman, com a ideia de transformar o Batman em uma figura global de combate ao crime. A série foi elogiada por sua criatividade, mas também foi notável por sua complexidade narrativa. Ela refletiu a evolução contínua do personagem do Batman e suas histórias para atrair leitores contemporâneos.
Quem já esteve sob o Manto?
Em seus 84 anos de existência, além de Bruce Wayne, outras pessoas também vestiram o manto do Batman. Em algumas histórias, o Comissário Gordon usou um traje semelhante ao do Batman para ajudar em situações de emergência.
Mesmo a contragosto, Dick Grayson, assumiu temporariamente o manto do Batman em algumas histórias. Ele é conhecido por seu traje como Asa Noturna, mas em algumas ocasiões ele assumiu a identidade de Batman quando Bruce Wayne estava indisponível, como nos arcos A Batalha pelo manto e Batman e Robin, quando se une a Damian. Anos antes, quando o Robin era Tim Drake, Jean-Paul Valley, também conhecido como Azrael, assumiu o manto do Batman durante a saga “Knightfall” nos anos 1990, quando Bane quebrou a coluna de Bruce. Azrael tornou o Batman mais brutal e agressivo, entrando em conflito com Nightwing e Robin, eventualmente o papel retornou para Bruce.
Em uma linha do tempo alternativa conhecida como “Flashpoint”, Thomas Wayne, o pai de Bruce Wayne, assumiu o manto de Batman após a morte de seu filho, no beco do crime, sendo tornou um Batman mais sombrio e implacável.
Em Future State, saga que conta o futuro dos heróis, Jace Fox é um dos personagens mais recentes a assumir o manto do Batman nos quadrinhos. Ele se tornou o “Next Batman” em uma série de quadrinhos ambientada em um futuro distante, onde ele herda o legado do Batman. Ainda nos anos 80, o Batman do Século 100.000 é uma versão futurista e imaginária do Batman que apareceu em “DC One Million”, uma história crossover da DC Comics. Ele é uma representação simbólica do que o legado do Batman poderia ser em um futuro distante.
Tim e Damian já foram Batmans em Elseworlds ou visões do futuro, no entanto, vislumbrar se tornar o Batman, violento e usuário de armas de fogo, afasta Tim da ideia de assumir o manto.
E finalmente, O “Batman do Futuro”, também conhecido como Terry McGinnis, é o protagonista de uma série de animação chamada “Batman Beyond”. Ele é um sucessor de Bruce Wayne e atua como o Batman em um futuro distante, usando um traje avançado.

Representações de paródia do Batman em Sociedade da Virtude: Bernard e Fredick, Corvo Urbano e Vigilante Noturno.
Muitas referências já foram feitas ao personagem, como o Mushu em Mulan, ou na Sociedade da Virtude, onde foram necessários 3 Personagem pra parodiar o Morcegão, como Vigilante Noturno, Bernard e Fredick, e Corvo Urbano. Tivemos diversas adaptações do Cruzador Encapuzado, animações pra TV, filmes do DCAU, jogos e MMO (DCUO). Materiais que nos trouxe até atenção a Dublagem, tendo os principais dubladores consagrado na voz do Bruce Wayne, como, Marcio Seixas, Ettori Zuim e Duda Ribeiro. No cinema e versões live-action, como séries, tivemos várias pessoas no papel, como por exemplo Lewis Wilson, Robert Lowery Adam West, Michael Keaton, George Clooney, Val Kilmer, Christian Bale, Ben Affleck, mais recentemente, Robert Pattinson, David Mazouz em Gotham, Iain Glen em Titans, Kevin Conroy, tanto dublando como no Crossover da CW.

Lewis Wilson, Adam West, Michael Keaton, George Clooney, Val Kilmer, Christian Bale, Ben Affleck, Robert Pattinson – Todos foram o Batman nas telonas
Batman não é apenas um herói fictício, mas um símbolo de perseverança, justiça e a capacidade de superar adversidades. Ele nos ensina que, mesmo nas situações mais sombrias, podemos encontrar força interior para enfrentar nossos medos e lutar por um mundo melhor, e por mais que ele insista em dizer que trabalha sozinho, percebemos o quanto ele é rodeado de pessoas incríveis com o mesmo propósito,
Então, no Batman Day, unimos fãs de todas as idades e origens para celebrar a lenda do Cavaleiro das Trevas e lembrar que, mesmo nas noites mais escuras, há sempre uma luz de esperança brilhando. É um dia para agradecer e homenagear aos criadores e artistas que deram vida a esse vigilante noturno ao longo dos anos, bem como a todos os talentosos escritores e artistas que continuam a contar suas histórias emocionantes. Batman nos mostra que qualquer um pode ser um herói da sua própria história, desde que tenham coragem e determinação para lutar pelo que acredita. E, é claro, este dia também serve para se divertir, ler quadrinhos, assistir a filmes e compartilhar o amor por um dos maiores heróis da história dos quadrinhos. Feliz Batman Day!
Um pouco sobre o Autor.
Wilson Negreiros é Fundador do CINEMAO – Clube de cinema Manauara, Host do Vozes na Cabeça Podcast, Co-apresentador do Programa Vitaminada na Rádio 87,9FM, Voz das Comunidades, muito fã do Nigthwing, Tokusatsu e Power Rangers e RPGs Steampunk. Roteirista, aspirante a escritor, Produtor, casado com a Vânia e Pai de Lorenzo e Cecília, dois nerdinhos legados nesse mundo!
instagr.am/wilsonnegreiros
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