Cinema além de hollywood – Por décadas, Hollywood foi sinônimo de cinema. Seus estúdios monumentais e a máquina de produção de filmes dominavam as bilheteiras globais e as cerimônias de premiação. No entanto, o cenário da sétima arte está passando por uma transformação radical.
Cinema além de hollywood
Nos últimos anos, uma série de filmes de destaque, produzidos fora dos Estados Unidos, provaram que a criatividade, a visão artística e o poder de uma boa história não têm fronteiras. Essa nova era do cinema global está desafiando a hegemonia de Hollywood e apresentando ao público narrativas autênticas, diversas e, acima de tudo, universalmente ressonantes.

A ascensão de plataformas de streaming e a maior visibilidade de festivais internacionais abriram as portas para que filmes de todo o mundo alcançassem uma audiência global, que se mostra cada vez mais ávida por narrativas que vão além das fórmulas previsíveis. O resultado é um enriquecimento cultural sem precedentes, onde o público pode testemunhar a genialidade de cineastas que, antes, operavam nas margens da indústria.
A revolução do cinema coreano: O Fenômeno Parasita
Nenhum filme exemplifica melhor essa mudança de paradigma do que Parasita, de Bong Joon-ho. O suspense sul-coreano, lançado em 2019, não foi apenas um sucesso de crítica; ele fez história ao se tornar o primeiro filme em língua não inglesa a vencer o Oscar de Melhor Filme. O feito foi um golpe no monopólio de Hollywood, provando que uma história contada em coreano sobre a luta de classes poderia cativar e chocar audiências em todos os cantos do planeta.
Parasita é um filme que transcende a barreira da língua por sua abordagem visceral e sua crítica social universal. A trama, que se desenrola com reviravoltas chocantes, é um comentário afiado sobre a desigualdade social, a exploração e a hipocrisia das classes ricas e pobres. O sucesso do filme pavimentou o caminho para que mais produções coreanas, como a série Round 6, conquistassem o mercado ocidental, solidificando a Coreia do Sul como uma potência cultural global.
O novo renascimento do cinema Europeu
Enquanto a Coreia do Sul se firmava como uma nova força, a Europa continuava a produzir um cinema de autor de altíssima qualidade. O grego Yorgos Lanthimos, conhecido por seu estilo único e narrativas surrealistas, cativou audiências com filmes como O Lagosta (The Lobster). Apesar de sua produção ter sido parcialmente europeia, o filme é um excelente exemplo de como diretores europeus conseguem criar obras que desafiam convenções e exploram a natureza humana de forma satírica e, muitas vezes, absurda, encontrando um público fiel e ávido por algo diferente.
Da mesma forma, o cinema francês tem brilhado com obras como Retrato de uma Jovem em Chamas (Portrait of a Lady on Fire), dirigido por Céline Sciamma. O filme, aclamado por sua beleza visual e sua sensibilidade, é um estudo íntimo sobre amor, arte e o desejo feminino. A narrativa, que se desenrola em um ritmo lento e contemplativo, provou que a arte do cinema de autor ainda tem um lugar de destaque em um mundo dominado por superproduções.
A força da animação Japonesa e a magia de Hayao Miyazaki
A hegemonia de Hollywood no campo da animação também foi contestada, principalmente pela lendária Studio Ghibli do Japão. Hayao Miyazaki, o mestre por trás de filmes como A Viagem de Chihiro (Spirited Away), mostrou ao mundo que a animação é uma forma de arte capaz de contar histórias complexas e emocionantes para todas as idades. O filme, que venceu o Oscar de Melhor Animação em 2003, é um testamento à sua imaginação e à sua habilidade de criar mundos mágicos e personagens inesquecíveis. Mais recentemente, o mesmo Miyazaki fez história novamente com O Menino e a Garça (The Boy and the Heron), que também venceu o Oscar de Melhor Animação em 2024, reafirmando o poder da narrativa japonesa.
O Brilho do Cinema Latino-Americano com Roma
O cinema latino-americano também tem se destacado com a produção de obras de imenso prestígio. Alfonso Cuarón, com Roma, criou um filme que é uma carta de amor a sua infância no México. O longa, filmado em preto e branco e com uma abordagem quase documental, é uma obra-prima de intimidade e observação. A narrativa, que foca na vida de uma empregada doméstica, aborda temas de classe, gênero e memória de uma forma profundamente humana e tocante, o que lhe rendeu três Oscars, incluindo o de Melhor Diretor.
Esses filmes e seus criadores são a prova de que o talento cinematográfico floresce em todas as partes do mundo. A ascensão de plataformas de streaming e a crescente abertura do público para filmes com legendas garantem que essa tendência continue a crescer. O cinema, que já foi um monopólio de Hollywood, é agora uma tela global onde vozes e perspectivas de todas as culturas podem brilhar, enriquecendo o público e redefinindo o que é um filme de destaque no século XXI.
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