Poucas franquias cinematográficas conseguem manter sua relevância e sua capacidade de aterrorizar por mais de quatro décadas. No entanto, o universo de Alien se destaca como um dos pilares do terror e da ficção científica, evoluindo de um claustrofóbico “terror espacial” para uma saga que explora temas de criação, sobrevivência e a natureza da humanidade. Desde a estreia do icônico filme de 1979 até os novos capítulos que continuam a expandir sua mitologia, a franquia se prova um organismo vivo, adaptável e sempre pronto para chocar e fascinar o público.

A essência de Alien reside em três pilares fundamentais: a aterrorizante criatura conhecida como Xenomorfo, a heroína improvável Ellen Ripley e o vilão implacável, a corporação Weyland-Yutani. Juntos, esses elementos criaram um universo que é, ao mesmo tempo, um pesadelo e um espelho para os medos mais profundos da nossa sociedade.
O Nascimento do terror cósmico: Alien (1979) e Aliens (1986)
O primeiro filme, dirigido por Ridley Scott, é uma aula de suspense e atmosfera. Lançado em 1979, Alien – O Oitavo Passageiro foi concebido como um “terror de casa assombrada no espaço”. A equipe da nave Nostromo, em seu caminho de volta para a Terra, atende a um sinal de socorro e acaba encontrando uma forma de vida desconhecida e hostil. A genialidade do filme reside na sua economia de terror; o monstro, com seu design horripilante criado por H.R. Giger, é raramente visto, e o medo vem da tensão e da incerteza. A cena do “chestburster” (o parasita que explode do peito) é um dos momentos mais chocantes e icônicos da história do cinema.
Seis anos depois, James Cameron reinventou a franquia com Aliens – O Resgate. Em um movimento audacioso, o filme transformou o gênero de terror em uma frenética ação de ficção científica militar. Ripley, agora uma heroína de ação, retorna ao planeta infestado e se une a um grupo de fuzileiros navais para enfrentar não um, mas centenas de Xenomorfos, culminando em um confronto épico com a majestosa Rainha Alien. O filme aprofundou a mitologia da criatura e adicionou uma camada de ação e adrenalina que o tornou um clássico por si só, provando a versatilidade do universo.
A decadência e a busca por origens

A saga continuou com recepções mistas. Alien 3 (1992), dirigido pelo novato David Fincher, foi um projeto problemático que resultou em um filme sombrio e pessimista, mas que muitos fãs vieram a apreciar por sua ousadia e sua decisão de sacrificar a heroína. Já Alien: A Ressurreição (1997), dirigido pelo francês Jean-Pierre Jeunet, foi um experimento bizarro e com toques de humor negro, com Ripley retornando como um clone com DNA de Xenomorfo.
Anos mais tarde, Ridley Scott retornou à franquia com uma ambição diferente: explorar a origem da criatura. Prometheus (2012) e Alien: Covenant (2017) são prequels que buscam responder a perguntas existenciais sobre os “Engenheiros”, a criação da vida e o verdadeiro motivo por trás do Xenomorfo. Esses filmes dividiram o público ao focar menos no terror visceral e mais em temas filosóficos e na complexa jornada do andróide David, que se torna o verdadeiro arquiteto do horror.
A herança de uma franquia atemporal
A longevidade de Alien se deve, em grande parte, à força de seus elementos centrais. A criatura Xenomorfo é um dos vilões mais icônicos do cinema, uma máquina de matar biologicamente perfeita, cujo ciclo de vida bizarro e design assustador se tornaram parte do panteão da cultura pop.
Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver, é uma das maiores heroínas de todos os tempos. Sua evolução de uma sobrevivente traumatizada a uma guerreira maternal e, por fim, a uma figura quase messiânica, a tornou um símbolo de força e resiliência. Sua presença foi crucial para o sucesso e a alma da franquia por quase duas décadas.
E, por fim, a Weyland-Yutani. A corporação é o verdadeiro monstro da série. Sua busca incansável por capturar e militarizar o Xenomorfo, a qualquer custo e com total desrespeito à vida humana, serve como uma crítica contundente à ganância corporativa e à irresponsabilidade científica.
O futuro do legado: Alien: Romulus (2025)
Em 2025, a franquia se prepara para um novo capítulo com Alien: Romulus, dirigido por Fede Álvarez (conhecido por seu trabalho em filmes de terror como A Morte do Demônio e O Homem nas Trevas). O filme promete ser uma reinvenção que volta às raízes do terror e da claustrofobia do original. Com uma trama que foca em um novo grupo de personagens isolados em uma estação espacial, o longa busca resgatar a atmosfera de medo e suspense que fez de Alien um clássico. A saga continua a provar que seu legado não é apenas sobre a criatura, mas sobre o terror que a escuridão do espaço pode esconder.
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