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Ex-diretor da Rockstar revela bastidores polêmicos do gameplay de GTA 4

Ex-diretor da Rockstar revela bastidores polêmicos do gameplay de GTA 4
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O gameplay de GTA 4 continua sendo um tópico de intenso debate na indústria, mesmo quase duas décadas após o seu lançamento original. Recentemente, Obbe Vermeij, ex-diretor técnico da Rockstar North, trouxe à tona novas perspectivas sobre as escolhas de design que definiram a física e a jogabilidade de Niko Bellic em Liberty City. Em uma série de declarações que reverberaram na comunidade de jogos nesta reta final de 2025, Vermeij admitiu que as ambições da equipe por realismo podem ter custado a fluidez que muitos jogadores esperavam na época.

A revolução técnica e o peso no gameplay de GTA 4

Ao analisar o desenvolvimento, Vermeij explicou que o gameplay de GTA 4 foi o resultado direto de uma mudança drástica de tecnologia. A transição para o motor gráfico RAGE (Rockstar Advanced Game Engine) combinada com a introdução da física Euphoria criou um ambiente onde a inércia e o peso dos personagens eram calculados em tempo real, e não apenas baseados em animações pré-programadas.

Segundo o ex-desenvolvedor, a equipe estava determinada a abandonar o estilo arcade que consagrou Grand Theft Auto: San Andreas. A intenção era criar uma experiência que simulasse a gravidade e o impacto físico de forma nunca vista antes. “Nós queríamos que o jogador sentisse cada passo, cada colisão. Mas, olhando para trás, talvez tenhamos deixado o controle um pouco lento demais para o gosto de todos,” ponderou Vermeij. Essa decisão resultou no que muitos críticos chamaram de “movimentação de tanque”, onde Niko demorava para girar ou parar de correr.

O dilema da condução: Realismo versus Diversão

Outro ponto nevrálgico abordado foi a mecânica de direção. Diferente dos carros que pareciam colados ao chão nos títulos anteriores, os veículos em GTA IV possuíam suspensões macias e uma tendência ao subesterço, exigindo que os jogadores realmente freassem antes das curvas. Vermeij destacou que essa foi uma escolha consciente para diferenciar a franquia de outros jogos de mundo aberto da época.

Para entender melhor o impacto histórico dessas decisões, vale consultar a página da Wikipedia sobre Grand Theft Auto IV, que detalha como a recepção crítica aclamou a narrativa, mas se dividiu quanto a esses aspectos técnicos. Enquanto puristas defendem a física de 2uch1008 como o ápice da simulação em mundo aberto, uma parcela significativa do público sentiu dificuldade em se adaptar à curva de aprendizado íngreme.

Comparativo inevitável com sucessores

As declarações de Vermeij ganham ainda mais peso quando comparamos o título de 2008 com seus sucessores. Em GTA V, a Rockstar optou por retornar a um meio-termo, tornando a direção mais responsiva e a movimentação a pé mais ágil. O ex-diretor sugere que essa mudança no título seguinte foi, em parte, uma resposta direta ao feedback recebido sobre o gameplay de GTA 4.

Ele observa que o desenvolvimento de jogos é um constante exercício de equilíbrio. “Você empurra a tecnologia para um lado, e às vezes a jogabilidade sofre. É preciso encontrar o ponto ideal,” afirmou. Para a época, o processamento necessário para calcular a física de cada atropelamento ou queda de moto consumia recursos preciosos dos consoles PlayStation 3 e Xbox 360, o que também limitava a quantidade de caos que poderia ocorrer na tela simultaneamente sem quedas de quadros.

O legado da física Euphoria

Apesar das críticas sobre a lentidão, Vermeij defende que o sistema de física implementado foi fundamental para a longevidade do jogo. Vídeos comparativos continuam surgindo na internet, demonstrando como a inteligência artificial dos NPCs reagindo a tiros ou empurrões em GTA IV muitas vezes supera a de jogos lançados na década de 2020.

Essa aposta na simulação processual garantiu que nenhuma queda ou acidente fosse exatamente igual ao outro. Para o ex-diretor, esse nível de imprevisibilidade é o que mantém o jogo relevante. “Nós sacrificamos a precisão do input do controle em troca de uma reação visualmente verossímil,” concluiu.

Em suma, as recentes explicações de Obbe Vermeij não apenas justificam as escolhas do passado, mas também servem como uma lição valiosa sobre design de jogos: a busca pelo fotorrealismo e pela física perfeita deve sempre dialogar com a experiência tátil do jogador. O gameplay de GTA 4 permanecerá na história como um marco ousado, onde a Rockstar decidiu que o peso da realidade era mais importante que a velocidade da fantasia.

Fonte: Gamevicio.com

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Escrito por
Esdras Reis

Fundador do site Galáxia Nerd e GIG streaming, apaixonado por jogos, filmes, animes e música.

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