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O Cavaleiro dos Sete Reinos: Crítica do Episódio 2

O Cavaleiro dos Sete Reinos: Crítica do Episódio 2 1
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Aos poucos, O Cavaleiro dos Sete Reinos deixa claro que sua proposta não é acelerar rumo ao espetáculo, mas aprofundar o percurso.

Se o primeiro episódio apresentou a estrada e a perda como ponto de partida, “Carne Salgada Dura” procura transformar essa jornada em um teste de identidade, sorte e pertencimento.

Nesta crítica do Episódio 2 de O Cavaleiro dos Sete Reinos, a série se afasta ainda mais da grandiosidade típica de Game of Thrones para investir em um recorte mais humano, quase cotidiano. Aqui, a fantasia não nasce da glória, mas da insistência.

Duncan segue tentando ocupar um espaço que o mundo insiste em negar, enquanto Egg observa, aprende e, silenciosamente, revela camadas que prometem impacto futuro.

O episódio é conceitual, lento e deliberadamente pé no chão — e é justamente aí que reside sua força.


O Cavaleiro dos Sete Reinos: Crítica do Episódio 2 – Carne Salgada Dura

O segundo episódio, intitulado Carne Salgada Dura, aprofunda a proposta iniciada na estreia ao acompanhar Duncan em sua tentativa quase obstinada de ser reconhecido como cavaleiro legítimo.

Sem linhagem, sem nome conhecido e sem garantias, ele depende daquilo que mais o favorece até aqui: uma combinação curiosa de sorte, honestidade e improviso.

Segundo a sinopse oficial divulgada pela HBO, o episódio acompanha Duncan enquanto ele tenta garantir sua participação nos jogos, ao mesmo tempo em que Egg começa a demonstrar um conhecimento inesperado sobre o mundo dos nobres.

A promessa é clara: a estrada continua sendo o verdadeiro campo de batalha.

Se foi pego desprevenido e não conferiu nossa crítica do episódio 1, pode conferir [clicando aqui].


O Cavaleiro dos Sete Reinos: crítica do segundo episódio

Diferente de outras produções do universo Game of Thrones, este episódio não se estrutura em torno de um grande evento, mas de uma sucessão de pequenas vitórias e frustrações.

Cada diálogo, cada encontro e cada silêncio contribuem para moldar o protagonista.

A série entende que, antes de ser cavaleiro, Duncan precisa descobrir quem ele é quando ninguém está olhando.

E essa construção lenta, quase desconfortável, é o que dá densidade ao episódio.


Análise narrativa do Episódio 2

Análise narrativa do Episódio 2

O episódio se inicia com Duncan falando sobre seu antigo mestre, enquanto cenas dos dois juntos surgem em segundo plano.

A montagem reforça que o passado de Duncan vai lembrando nas primeiras cenas é uma espécie de herança moral.

Como é comum em Game of Thrones, o senhor de Duncan aparece nu, urinando — um detalhe que reafirma o uso da nudez como elemento de crueza e não apenas provocação.

E deu certo, chamando a atenção que procurava conseguir.

Narrativamente, “Carne Salgada Dura” é sobre tentativa. Duncan tenta ser aceito, tenta ser visto, tenta se provar.

Em muitos momentos, a gente descobre que nosso tolo protagonista tem o talento engraçado de estar nos lugares errados — mas nas horas certas.

A sequência em que ele escuta nobres conversando e acaba sendo interpelado é exemplar.

Ao ser questionado, Duncan menciona seu antigo senhor. O teste que se segue não é físico, mas simbólico: ao identificar corretamente o cavaleiro que derrotou o “leão grisalho” — um Lannister —, ele conquista algo raro para alguém como ele: reconhecimento.

Essa é a primeira grande vitória do episódio. Não nos jogos, mas na narrativa.


Construção de personagens

Construção de personagens

Duncan: um herói profundamente humano

Duncan continua sendo construído como um protagonista desajeitado, inseguro e, por vezes, socialmente deslocado.

Ele não domina códigos de corte, não entende jogos políticos e frequentemente parece perdido — mas nunca desonesto.

É justamente essa inadequação que gera empatia.

A conversa com o cavaleiro que foi pescador antes de vestir a armadura sintetiza bem isso.

Quando questionado sobre como se tornou cavaleiro, a resposta é simples: da mesma forma que se tornou pescador. Não tem brilho aqui, apenas a presença da circunstância.

Outro momento simbólico é a criação de seu próprio brasão.

Impedido de usar símbolos herdados, Duncan precisa inventar sua identidade. Ao pedir ajuda à artista, que sugere algo ainda indefinido, ouvimos uma das frases mais reveladoras do episódio:


“Todos os homens são bobos, e ainda assim cavaleiros.”

A série não poderia ser mais clara sobre a ideia central da jornada do protagonista e seu propósito.

Egg e o contraste silencioso

Os diálogos entre Duncan e Egg seguem sendo um dos pontos altos do episódio. Curtos, inteligentes e bem-humorados, eles funcionam como espelho e contraponto.

Quando Duncan menciona a Casa Targaryen, Egg demonstra um conhecimento que não condiz com sua origem aparente.

Questionado, desconversa. Para quem conhece o material original de George R. R. Martin, esse detalhe é carregado de significado, mas a série acerta ao manter a revelação em suspenso.

A cena do cabo de guerra marca a segunda “vitória” de Duncan no episódio.

Ela segue um diálogo bem engraçado entre os protagonistas e o respeito ao tempo certo entre a cena engraçada do diálogo e a cena da competição ajuda a suavizar a narrativa da história.


Direção, roteiro e simbolismos

Direção, roteiro e simbolismos

A direção mantém a estética crua inaugurada no primeiro episódio.

A ambientação continua suja, lamacenta e longe de qualquer idealização. Westeros que conhecemos está longe da grandeza. Aqui vemos a sobrevivência.

A sequência dos jogos é particularmente eficaz.

Violenta, caótica e desconfortável, ela remete mais a Coração de Cavaleiro do que às batalhas épicas de Game of Thrones.

Egg observa fascinado; Duncan, perturbado. É nesse contraste que o episódio encontra sua tensão emocional.

O roteiro trabalha bem o simbolismo do legado. Duncan percebe que seu mestre viveu sessenta anos sem vencer torneios, e ainda assim foi quem lhe ensinou honra.

Os nobres, supostos guardiões desses valores, mal se lembram dele. Aqui, Duncan o Alto encontra sua motivação para participar do torneio, se enxergando como o legado de seu antigo mestre..


Conexões com o universo de Game of Thrones e a obra de George R. R. Martin

Conexões com o universo de Game of Thrones e a obra de George R. R. Martin

O episódio reforça que O Cavaleiro dos Sete Reinos existe para mostrar um Westeros fora dos livros de história.

As referências a casas como os Targaryen surgem sempre pelo olhar do povo, do baixo clero, dos camponeses.

Esse contraste já foi explorado em análises anteriores no Galáxia Nerd, especialmente ao discutir como a série dialoga tematicamente com House of the Dragon, funcionando quase como seu inverso narrativo.

Enquanto uma fala de poder absoluto, a outra fala de quem nunca o teve. Mais do que expandir o universo, a série o humaniza.

Cada série cumpre bem seu papel, amarrando o universo de Game of Thrones fora dos livros.


Ritmo e proposta: lentidão como escolha

“Carne Salgada Dura” pode frustrar quem espera grandes reviravoltas imediatas.

Mas essa lentidão é coerente.  A grandeza de Duncan, o Alto não vem pronta.

Ela vai se desenrolando naturalmente e de forma desengonçada e silenciosa as estruturas vão se levantando.

O episódio prefere construir caráter do protagonista buscando seu propósito, em vez de jogar um espetáculo logo na nossa cara.

Cada pequeno gesto, cada decisão improvisada e cada silêncio contribuem para erguer, de forma desengonçada e despretensiosa, o que ainda está por vir.


Conclusão

Nesta crítica de O Cavaleiro dos Sete Reinos – Episódio 2, fica claro que a série aposta em uma narrativa de formação, não de consagração.

Carne Salgada Dura é um episódio sobre identidade, legado e persistência.

Duncan segue sendo um cavaleiro sem nome, sem linhagem e sem garantias — mas começa a entender que talvez isso nunca tenha sido o mais importante.

Ao caminhar ao lado de Egg, um garoto com uma herança que ele ainda desconhece, o protagonista encontra sentido naquilo que restou de seu mestre: a honra como prática diária, não como título.

E é nessa simplicidade crua que O Cavaleiro dos Sete Reinos encontra sua maior virtude.

👉 O que você achou do Episódio 2?
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