Força de Expressão: O Grupo F da Copa 2026
Força de Expressão: O Grupo F da Copa 2026 – Enquanto as seleções do Grupo F travam batalhas milimétricas nos campos para avançar na Copa do Mundo de 2026, os cinéfilos sabem que esses quatro países jogam na primeira divisão quando o assunto é cinema fantástico. Unindo o terror psicológico holandês, o consagrado cyber-horror japonês, o sombrio folclore nórdico da Suécia e as distopias alegóricas da Tunísia, este grupo prova que sabe perfeitamente como mexer com o imaginário humano.
Prepare-se para sair das quatro linhas e mergulhar em realidades paralelas. Conheça um filme imperdível de ficção, fantasia ou terror de cada nação do Grupo F:
Holanda: A Noite do Espantalho / The Windmill Massacre (Terror / Slasher, 2016)
A Holanda possui um histórico riquíssimo em thrillers psicológicos densos (como o clássico O Silêncio do Lago). Em The Windmill Massacre, o diretor Nick Jongerius abraça o terror escancarado, usando um dos maiores símbolos turísticos do país — os moinhos de vento — como cenário de um banho de sangue folclórico.
- Resumo: Jennifer é uma jovem australiana que está fugindo de seu passado e acaba se escondendo em Amsterdã. Para tentar sumir do mapa, ela embarca em um ônibus de turismo que faz passeios pelos moinhos holandeses com um grupo de estrangeiros. Quando o veículo quebra no meio do nada, eles buscam abrigo em um moinho abandonado que, segundo as lendas locais, era usado por um adorador do diabo para moer ossos humanos. O grupo logo descobre que a entidade sobrenatural está de volta para cobrar os pecados de cada um.
- Principais Prêmios: Um sucesso absoluto de público no circuito cult europeu, o filme foi selecionado e muito elogiado pelo design de criaturas em grandes festivais de gênero, como o FrightFest de Londres e o Festival de Cinema de Sitges.

Japão: Pulse / Kairo (Terror Técnico / Cyber-Horror, 2001)
Falar de cinema de gênero no Japão é chover no molhado. Dirigido pelo mestre Kiyoshi Kurosawa, Pulse é uma obra-prima seminal do terror que antecipou a solidão da era digital, muito antes de as redes sociais dominarem as nossas vidas.
- Resumo: A trama acompanha duas histórias paralelas em Tóquio que se conectam pela internet. Quando um jovem programador comete suicídio sem motivo aparente, seus amigos começam a investigar o computador dele e descobrem um site misterioso. O portal faz uma pergunta assustadora na tela: “Você quer ver um fantasma?”. À medida que as pessoas acessam o site, o mundo real começa a ser gradualmente invadido por almas penadas e melancólicas através de conexões de internet, gerando uma onda de isolamento extremo e desaparecimentos que ameaçam extinguir a humanidade.
- Principais Prêmios: O filme é um dos mais aclamados da história do horror asiático. Venceu o cobiçado Prêmio FIPRESCI (Crítica Internacional) no Festival de Cinema de Cannes e faturou o prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema Fantástico de Málaga.

Suécia: Border / Gräns (Fantasia Sombria / Realismo Mágico, 2018)
A Suécia é especialista em mesclar folclore com drama cru (vide Deixe-me Entrar). Dirigido por Ali Abbasi e baseado em um conto de John Ajvide Lindqvist, Border é um filme totalmente fora da curva que usa a fantasia para discutir aceitação social, biologia e instintos primitivos.
- Resumo: Tina é uma inspetora de alfândega com uma habilidade sobrenatural: ela possui um olfato tão apurado que consegue “cheirar” a culpa, o medo e a vergonha das pessoas que tentam contrabandear algo. Ela vive uma vida pacata e isolada devido à sua aparência física incomum. Tudo muda drasticamente quando ela conhece Vore, um homem misterioso cuja presença desafia todas as suas habilidades olfativas e desperta nela uma conexão visceral. Tina descobre que eles não pertencem à raça humana e precisa fazer uma escolha moral pesada sobre sua verdadeira natureza.
- Principais Prêmios: Foi o grande vencedor da mostra Un Certain Regard no Festival de Cinema de Cannes. O filme também recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Cabelo e Maquiagem e dominou o prêmio nacional da Suécia (Guldbagge Awards), vencendo em seis categorias, incluindo Melhor Filme.

Tunísia: Dachra (Terror / Ocultismo, 2018)
A Tunísia vem surpreendendo o mercado mundial de cinema com produções autorais fortíssimas. Dirigido por Abdelhamid Bouchnak, Dachra fez história ao se tornar o primeiro filme de terror legítimo produzido na Tunísia, quebrando recordes de bilheteria locais e abrindo as portas do gênero no norte da África.
- Resumo: Yasmine é uma estudante de jornalismo que, junto com dois amigos da faculdade, decide criar um documentário investigativo para um trabalho de curso. Eles resolvem desvendar um caso arquivado de vinte anos atrás: a história de Mongia, uma mulher encontrada mutilada no meio do nada que hoje vive isolada em um hospital psiquiátrico, sob suspeitas de bruxaria. A investigação os leva até “Dachra”, um vilarejo isolado e misterioso nas montanhas profunda da Tunísia. Presos nessa comunidade rústica, os estudantes são cercados por rituais de canibalismo, magia negra e segredos aterrorizantes.
- Principais Prêmios: O longa teve sua estreia mundial na prestigiada Semana da Crítica do Festival de Cinema de Veneza e foi selecionado como filme de encerramento. Também circulou com enorme sucesso em festivais como o MIFC e o Festival de Cinema de Cartago.

Seja fechando os espaços com táticas defensivas perfeitas na Copa do Mundo ou desafiando os limites da nossa mente por trás das câmeras, as nações do Grupo F mostram que jogam na elite quando o objetivo é tirar o fôlego de quem assiste.
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